Política

Lula defende industrialização de minerais críticos para reduzir a exportação de matéria-prima no Brasil

10 de Julho de 2026 às 15:06

O presidente Lula defendeu a industrialização de minerais críticos e terras raras no Brasil para superar a exportação de matéria-prima. O governo recusou aliança com os Estados Unidos para manter a autonomia nacional e busca acordos com outros países. A Câmara aprovou projeto que prevê R$ 5 bilhões em crédito tributário para o setor

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, em reunião realizada nesta sexta-feira (10) no Palácio do Planalto, a ampliação da participação brasileira na cadeia produtiva de minerais críticos e terras raras. O chefe do Executivo manifestou a intenção de que o país supere a exportação de matéria-prima para investir no processamento e na industrialização desses recursos em território nacional.

Durante o encontro com ministros e especialistas sobre a política de exploração desses insumos, Lula afirmou que a China demonstra obsessão em deter o monopólio do conhecimento sobre esses minerais, enquanto Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, nutre inveja dos chineses. A discussão ocorre em um cenário de disputa comercial e tecnológica entre Pequim e Washington, onde esses materiais são essenciais para a fabricação de equipamentos de defesa, eletrônicos, turbinas eólicas, veículos elétricos e a transição energética global.

O presidente avaliou que o principal obstáculo para o Brasil conquistar destaque no mercado global não reside na carência de recursos ou de capacidade científica, mas na falta de um direcionamento estratégico e de decisões políticas governamentais. Lula declarou ter mudado sua percepção inicial sobre a competência técnica do país na área, reconhecendo que o Brasil possui capital intelectual e estrutura institucional superiores ao que imaginava.

No campo diplomático, o governo brasileiro recusou um convite dos Estados Unidos, feito este ano, para integrar uma aliança voltada ao controle da produção e refino desses recursos, sob a justificativa de que a proposta fere a autonomia nacional. O governo federal manifestou, paralelamente, o interesse em firmar acordos sobre a temática com outras nações.

No âmbito legislativo, a Câmara dos Deputados aprovou em maio um projeto para a criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A proposta, que atualmente segue em análise no Senado, prevê a instituição de um fundo garantidor e a concessão de R$ 5 bilhões em crédito tributário para fomentar o processamento de minérios e desenvolver a indústria nacional no setor.

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