Política

Lula e Claudia Sheinbaum alinham posições contra pressões tarifárias dos Estados Unidos em videoconferência

11 de Junho de 2026 às 06:32

Luiz Inácio Lula da Silva e Claudia Sheinbaum discutiram pressões tarifárias dos Estados Unidos em videoconferência nesta quarta-feira (10). Os presidentes apoiaram a candidatura de Michelle Bachelet à Secretaria-Geral da ONU e defenderam o fim do embargo a Cuba

Lula e Claudia Sheinbaum alinham posições contra pressões tarifárias dos Estados Unidos em videoconferência
Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente do México, Claudia Sheinbaum, realizaram uma videoconferência de 40 minutos nesta quarta-feira (10) para alinhar posições diante de pressões tarifárias exercidas pelos Estados Unidos sobre ambos os países. O diálogo, acompanhado pelos chanceleres Mauro Vieira e Roberto Velasco, focou na preservação do multilateralismo, do direito internacional, da democracia e do princípio da não ingerência.

No campo diplomático, Brasil e México ratificaram o apoio à candidatura de Michelle Bachelet para a Secretaria-Geral das Nações Unidas. A ex-presidente do Chile, que já dirigiu a ONU Mulheres e atuou como alta comissária para os Direitos Humanos, é a candidata formalizada pelo Brasil, que defende a eleição de uma mulher latino-americana para o cargo por meio de consenso e rotatividade. Os mandatários também manifestaram preocupação com a crise humanitária em Cuba e defenderam o fim do embargo ao país.

A agenda ocorre em um momento de tensão comercial com Washington. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendou a aplicação de taxas ao Brasil com base na Seção 301 da lei comercial americana, vigente desde a década de 1970. As recomendações, ainda não implementadas, citam a propriedade intelectual, o etanol, o combate ao desmatamento, o PIX e a suposta existência de práticas econômicas desleais contra empresários americanos. Adicionalmente, o USTR sugeriu tarifas contra o Brasil sob a justificativa de falhas no combate ao trabalho forçado, medida que Lula já declarou ser inaceitável.

Simultaneamente, o México enfrenta ameaças de tarifas americanas motivadas por supostos descumprimentos de acordos e falhas no enfrentamento aos cartéis de drogas. Em janeiro, o governo dos Estados Unidos afirmou que tais grupos controlam o México, sugerindo a realização de operações militares terrestres no território mexicano. Em resposta, Sheinbaum afirmou que o México retaliaria a imposição de tarifas baseadas nesses argumentos.

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