Política

Lula e Japão anunciam início de negociações para acordo de parceria econômica com o Mercosul

18 de Junho de 2026 às 06:07

O presidente Lula encerrou sua décima participação na cúpula do G7, na França, onde reuniu-se com líderes de diversas nações e assinou três de oito declarações do fórum. O mandatário brasileiro defendeu a soberania nacional diante de críticas de Donald Trump e negociou com a União Europeia a exportação de produtos agropecuários e siderúrgicos. O Brasil também anunciou o início de negociações para um acordo de parceria econômica entre o Mercosul e o Japão

Lula e Japão anunciam início de negociações para acordo de parceria econômica com o Mercosul
EPA/Shutterstock

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou, nesta quarta-feira (17/06), sua décima participação em uma cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França. O Brasil integrou o evento como convidado, ao lado de outras nações em desenvolvimento. Durante a agenda, o mandatário brasileiro manteve reuniões privadas com as lideranças da França, Japão, Ucrânia, União Europeia (UE), além do presidente da Confederação Suíça, Guy Parmelin, e do secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza.

A interação entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi marcada por contrastes. Embora tenham se cumprimentado brevemente nos corredores do hotel e trocado palavras cordiais em um primeiro momento, ambos manifestaram divergências profundas em coletivas de imprensa separadas ao final do fórum. Trump classificou o Brasil como "perigoso do ponto de vista político", mencionando a condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro pelo STF por coação no curso do processo — crime relacionado a tentativas de articular retaliações do governo americano contra autoridades brasileiras para interferir no julgamento de Jair Bolsonaro.

Em resposta, Lula afirmou que Trump pode manter sua preferência pessoal por Bolsonaro, mas ressaltou que o presidente americano não deve interferir nas eleições brasileiras, defendendo a soberania nacional. Sobre a relação bilateral, o presidente brasileiro informou que não solicitou reunião formal com Trump, pois as pautas prioritárias, incluindo a possível aplicação de uma taxação extra de 25% sobre importações brasileiras, já estão sendo tratadas por equipes técnicas e diplomatas.

No campo diplomático, o Brasil demonstrou distanciamento do núcleo do G7 ao endossar apenas três das oito declarações disponíveis para os países convidados. O governo brasileiro assinou os textos sobre o combate ao câncer, a luta contra o tráfico de drogas e a garantia de espaços digitais seguros para crianças e adolescentes. As demais pautas, que incluíam minerais críticos e desequilíbrios macroeconômicos, foram rejeitadas. Lula criticou a dinâmica do fórum, afirmando que os documentos são aprovados antes da chegada dos convidados e que a agenda atual parece moldada para evitar desconfortos de Donald Trump. O presidente brasileiro também defendeu a parceria do Sul Global com a China, rechaçando a entrada do Brasil em disputas entre Pequim, Estados Unidos e União Europeia.

A agenda bilateral com a União Europeia focou na tentativa de reverter a proibição de importação de mel, peixes, tripas e carnes brasileiras, veto previsto para entrar em vigor em 3 de setembro devido a exigências sanitárias. Embora a medida não tenha sido suspensa, Lula, Ursula von der Leyen e António Costa acordaram que as negociações sobre padrões fitossanitários e exportações de produtos siderúrgicos terão agora um acompanhamento político, para além do diálogo técnico.

Em relação ao conflito na Ucrânia, Lula reuniu-se com Volodymyr Zelensky, avaliando que, desta vez, o líder ucraniano demonstrou maior disposição para encontrar uma solução. O presidente brasileiro comprometeu-se a contatar os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (China, Rússia, EUA, França e Reino Unido) para cobrar ações efetivas no encerramento da guerra.

Por fim, a participação brasileira resultou no anúncio do lançamento de negociações para um acordo de parceria econômica entre o Mercosul e o Japão, após reunião de Lula com a primeira-ministra Sanae Takaichi. A formalização do processo ocorrerá no final de junho, durante a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em Assunção, no Paraguai, atendendo ao interesse de Tóquio em diversificar seus parceiros comerciais diante de barreiras impostas por China e Estados Unidos.

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