Política

Lula e Trump não se cumprimentam durante a foto oficial da cúpula do G7 na França

16 de Junho de 2026 às 12:12

O presidente Lula participou da cúpula do G7, na França, em meio à proposta dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. O governo do Brasil rejeitou a medida e o presidente não cumprimentou Donald Trump durante a sessão de fotos. A agenda inclui reuniões com líderes europeus e discussões sobre inteligência artificial

Lula e Trump não se cumprimentam durante a foto oficial da cúpula do G7 na França
Evelyn Hockstein/ Reuters

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da foto oficial da cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França, onde se posicionou ao lado do primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, e da líder da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O encontro ocorre em um momento de atrito diplomático entre Brasil e Estados Unidos, após o governo norte-americano propor a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

A medida, fundamentada em um relatório do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), alega que o Brasil adota práticas prejudiciais a empresas americanas, citando regras sobre o Pix, políticas ambientais, combate à corrupção, proteção de propriedade intelectual e a atuação do Poder Judiciário brasileiro contra empresas de tecnologia. O governo brasileiro classificou o tratamento como inaceitável e rejeitou a adoção de medidas unilaterais. A decisão final sobre as tarifas está prevista para julho, após a fase de consultas públicas.

Apesar de estarem no mesmo evento, o presidente Lula e Donald Trump, que posou ao lado do anfitrião Emmanuel Macron, não se cumprimentaram durante a sessão de fotos. Não há registros de conversas entre os dois chefes de Estado na abertura da cúpula.

Convidado para as discussões ampliadas do fórum — composto por Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Japão e União Europeia —, Lula deve manifestar sua oposição ao protecionismo e ao unilateralismo perante os líderes do grupo. A estratégia diplomática é criticar a imposição de tarifas sem confrontar diretamente o presidente norte-americano.

Essa linha de atuação já havia sido apresentada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em reunião preparatória conduzida por Macron na semana passada. Na ocasião, Vieira defendeu o fortalecimento de organismos como a Organização Mundial do Comércio (OMC) para mitigar a adoção de medidas unilaterais no cenário econômico global.

A agenda do presidente brasileiro em Évian-les-Bains inclui ainda uma reunião bilateral com Ursula von der Leyen e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, marcada para as 17h20 desta terça-feira. Além disso, Lula participará de um almoço sobre inteligência artificial, oportunidade em que deve defender a abertura do Brasil para empresas de tecnologia, desde que operem conforme a legislação nacional, negando a existência de perseguições ou discriminações contra plataformas digitais.

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