Política

Lula e Trump trocam críticas mútuas durante cúpula do G7 na França

18 de Junho de 2026 às 06:07

O presidente Lula participou de cúpula do G7 na França, onde endossou três de oito declarações e trocou críticas com Donald Trump. O governo brasileiro negociou com a União Europeia a exportação de produtos e anunciou acordo de parceria econômica entre Japão e Mercosul. Lula também se reuniu com Volodymyr Zelensky para tratar da guerra na Ucrânia

Lula e Trump trocam críticas mútuas durante cúpula do G7 na França
EPA/Shutterstock

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou sua décima participação em uma cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França. O saldo diplomático do evento foi marcado por divergências ideológicas com os Estados Unidos e a adesão limitada a consensos do grupo, evidenciando o distanciamento entre Brasília e as sete maiores economias industrializadas do mundo.

O ponto de maior tensão ocorreu na relação com Donald Trump. Embora tenham se cumprimentado brevemente nos corredores do hotel e trocado palavras cordiais em um primeiro momento, ambos utilizaram coletivas de imprensa posteriores para disparar críticas mútuas. Trump classificou o Brasil como "perigoso do ponto de vista político" e mencionou a condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro pelo STF — ocorrida em 16 de junho por coação no curso do processo — interpretando o fato como a prisão de um candidato eleitoral.

Em resposta, Lula afirmou que Trump pode manter sua simpatia pela família Bolsonaro, mas ressaltou que o presidente americano não deve interferir nas eleições brasileiras, defendendo a soberania nacional. O governo brasileiro informou que não solicitou reunião bilateral com Trump, pois as pautas prioritárias, como a possível aplicação de uma taxação extra de 25% sobre importações brasileiras, já estão sendo tratadas por equipes técnicas e diplomatas.

No campo multilateral, o Brasil endossou apenas três das oito declarações disponíveis para países convidados. O governo brasileiro assinou os textos voltados ao combate ao câncer, à luta contra o tráfico de drogas e à segurança digital para crianças e adolescentes. As demais pautas, que incluíam minerais críticos e desequilíbrios macroeconômicos, foram rejeitadas. O governo brasileiro criticou a visão "extrativista" e "anti-China" de alguns documentos e afirmou que a agenda do G7 tem sido moldada para acomodar a participação de Trump. Lula defendeu a parceria do Sul Global com a China, argumentando que o país asiático investe em desenvolvimento com taxas mais justas que as potências ocidentais.

Na agenda de mediação de conflitos, Lula reuniu-se com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. O presidente brasileiro avaliou como o melhor encontro realizado com o ucraniano, notando maior disposição de Zelensky para a busca de uma solução para a guerra. Lula comprometeu-se a contatar os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (China, Rússia, EUA, França e Reino Unido) para cobrar a efetividade do poder de veto na pacificação do conflito.

As relações com a União Europeia também foram pauta de reunião bilateral com Ursula von der Leyen e António Costa. O foco foi a proibição europeia de importar carnes, peixes, mel e tripas brasileiras a partir de 3 de setembro, devido a exigências sanitárias não comprovadas. Embora o veto não tenha sido revogado, ficou decidido que as negociações sobre padrões fitossanitários e a exportação de produtos siderúrgicos terão agora um acompanhamento político, além do técnico, para acelerar os processos.

Por fim, o Brasil avançou na diversificação comercial através de reunião com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi. O encontro resultou no anúncio do lançamento formal de negociações para um acordo de parceria econômica entre o Japão e o Mercosul, com previsão de inauguração para o final de junho, em Assunção, no Paraguai.

Durante a cúpula, Lula também manteve reuniões privadas com as lideranças da França, Egito, União Europeia e Japão, além de encontros com o presidente da Confederação Suíça, Guy Parmelin, e o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza.

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