Lula inicia participação no G7 na França com foco em diálogos diplomáticos e comerciais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa, nesta terça-feira (16/06), do G7 na França, onde realizará reuniões bilaterais com líderes do Japão, Egito e União Europeia. A agenda inclui debates sobre Inteligência Artificial, governança global e a diversificação de cadeias de minerais críticos
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/1/5/CQC1xBQBOLBgQkAxJWGg/1d9fffe0-68cf-11f1-8e1d-bbbb1017d210.jpg.webp)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia, nesta terça-feira (16/06), sua participação oficial no G7, em Évian-les-Bains, na França. Convidado por Emmanuel Macron, o mandatário brasileiro integra o grupo de nações não membros que acompanham as discussões ampliadas do fórum, marcando sua décima presença no evento ao longo de três mandatos.
A agenda brasileira em solo francês é pautada por tentativas de diálogo com grandes potências em um cenário de tensões diplomáticas e comerciais. Lula já se reuniu com Macron na segunda-feira para tratar de tecnologia, cooperação em defesa e a organização da cúpula. Para esta terça, estão previstas reuniões bilaterais com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e o primeiro-ministro do Egito, Abdul Fatah Khalil Al-Sisi, além de encontros com Ursula von der Leyen, da Comissão Europeia, e António Costa, do Conselho Europeu, atendendo a um pedido dos representantes europeus.
O diálogo com a União Europeia ocorre em um momento crítico, após o bloco oficializar a proibição de importações de mel, peixes, tripas e carnes brasileiras a partir de 3 de setembro. A medida baseia-se em exigências sanitárias relacionadas ao uso de medicamentos antimicrobianos na produção animal. O governo brasileiro manifestou preocupação com a decisão, que é interpretada como uma reação política para proteger produtores locais após o acordo provisório entre Mercosul e UE em maio.
A presença de Donald Trump no evento eleva as expectativas por interações, embora o governo brasileiro não tenha solicitado formalmente uma reunião privada com a Casa Branca. O encontro ocorre sob a sombra de possíveis taxações extras de 25% sobre importações brasileiras e a recente classificação do governo americano de facções como o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O Ministério das Relações Exteriores, contudo, avalia que o G7 não é o espaço adequado para discutir esses temas específicos de Brasília e Washington.
O cenário global impõe desafios à diplomacia brasileira, com a atenção dos líderes do G7 voltada para os conflitos no Irã e na Ucrânia. Os Estados Unidos e o Irã anunciaram a conclusão de um acordo de paz, com assinatura prevista para sexta-feira (19/06) e a reabertura do estreito de Ormuz. A expectativa é que Trump utilize o fórum para promover esse resultado e pressionar a Europa por maior apoio militar no Oriente Médio, enquanto os europeus buscam maior protagonismo americano no auxílio à Ucrânia.
Nesse contexto de fragmentação interna do G7, o Brasil busca alternativas para atrair a atenção de Washington, possivelmente destacando investimentos em minerais críticos como estratégia para reduzir a dependência dos EUA em relação à China.
A programação de Lula inclui ainda discursos sobre solidariedade internacional, com foco na ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD), e a defesa de reformas na governança global, especificamente na ONU e na Organização Mundial do Comércio (OMC). Na quarta-feira (17/06), a comitiva brasileira participará de um debate sobre Inteligência Artificial com executivos de empresas como OpenAI, Anthropic e Mistral, visando evitar que a regulação do setor seja dominada apenas pelo Norte Global e pela China, além de apresentar as atualizações do Marco Civil da Internet.
Por fim, a delegação brasileira analisa a assinatura de um entendimento sobre a diversificação de cadeias de minerais críticos proposto pela França. O objetivo do governo é fomentar a industrialização do setor para agregar valor à matéria-prima, embora ainda existam divergências entre a visão brasileira e os rascunhos do documento apresentados.