Lula lidera intenções de voto para a presidência enquanto Flávio Bolsonaro registra queda nas pesquisas
Lula lidera as intenções de voto para a presidência com 39% e 41% nas pesquisas Quaest e Datafolha, enquanto Flávio Bolsonaro registra 29% e 31%. O senador enfrenta queda de apoio após a revelação de transferências de R$ 61 milhões para financiar um filme. O cenário inclui investigações contra Jaques Wagner e aumento de ações por propaganda antecipada no TSE
A 100 dias do primeiro turno, a disputa presidencial apresenta um cenário equilibrado, com o presidente Lula (PT) detendo a liderança nas intenções de voto. Levantamentos da Quaest e do Datafolha indicam a vantagem do atual mandatário, que registra 39% e 41% das intenções, respectivamente, contra 29% e 31% do senador Flávio Bolsonaro (PL).
A distância entre os principais candidatos ampliou-se após a revelação de diálogos entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. As investigações apontam que o senador solicitou recursos para financiar o filme "Dark Horse", obra sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, resultando em transferências de R$ 61 milhões. O impacto do episódio reflete-se nos números da Quaest, onde o senador recuou de 33% para 29% no primeiro turno e de 41% para 38% em simulações de segundo turno. A rejeição ao episódio é expressiva: 65% dos entrevistados consideram a atitude um erro e 58% veem indícios de irregularidades.
O desgaste de Flávio Bolsonaro é mais evidente entre eleitores independentes — que representam 32% do eleitorado e priorizam temas como combate à corrupção, segurança pública, democracia e desburocratização. Nesse grupo, o apoio ao senador caiu de 31% para 24%, enquanto Lula abriu 13 pontos de vantagem no segundo turno. Entre eleitores de direita não alinhados ao bolsonarismo, a queda foi de 88% para 82%. Apesar disso, não houve a consolidação de uma alternativa no campo de centro-direita; nomes como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Aécio Neves (PSDB) permanecem fragmentados, somando cerca de 12% das intenções de voto.
A instabilidade na campanha da oposição é agravada por conflitos internos, como o vídeo de Michelle Bolsonaro relatando desrespeito por parte do enteado, fato que ainda não foi mensurado pelas pesquisas. Simultaneamente, o governo enfrenta pressões decorrentes da Operação Compliance Zero. O senador Jaques Wagner (PT-BA), aliado de Lula, tornou-se alvo de investigação da Polícia Federal sobre repasses de R$ 3,5 milhões em nome de familiares e a compra de um imóvel de luxo em Salvador. Em função disso, Wagner deixou a liderança do governo no Senado na última quarta-feira (24).
A Operação Compliance Zero, que analisa celulares de Daniel Vorcaro, é vista em Brasília como uma investigação suprapartidária. O ex-banqueiro, preso por suspeitas de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro, teve duas tentativas de delação rejeitadas.
No âmbito jurídico, a disputa já se intensificou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com um aumento de 335% nas representações por propaganda antecipada em relação a 2022, totalizando mais de 130 ações. O PT e o PL são os partidos que mais protocolaram processos. Entre as decisões, o ministro André Mendonça ordenou a remoção de conteúdos contra Lula e de uma deepfake de Flávio Bolsonaro. Já o presidente do tribunal, Kássio Nunes Marques, negou o pedido do PT para barrar o filme "Dark Horse" e determinou a derrubada de uma pesquisa da AtlasIntel por indícios de contaminação metodológica, embora a empresa negue a irregularidade. O julgamento segue sem data após pedido de vista da ministra Estela Aranha.
A judicialização levou as campanhas a reforçarem seus quadros jurídicos, com a contratação de Ângelo Ferraro pelo grupo de Lula e da ex-ministra do TSE, Maria Cláudia Buchianeri, por Flávio Bolsonaro.
O ponto central dos conflitos no TSE é o uso de inteligência artificial. As normas exigem a identificação clara de conteúdos alterados por IA e proíbem deepfakes que simulem candidatos para enganar o público. Casos reportados incluem uma paródia do PL com Lula e familiares na série "A Grande Família", uma deepfake de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, personagens digitais para desinformação e um vídeo de Flávio Bolsonaro atirando contra embarcações do CV e PCC, classificado pelo PT como propaganda antecipada. Ministros do tribunal reconhecem que a facilidade de produção e a rapidez de disseminação dessas ferramentas tornam o monitoramento um dos maiores desafios para o pleito.