Política

Lula nomeia a senadora Teresa Leitão para assumir a liderança do governo no Senado

29 de Junho de 2026 às 06:08

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou a senadora Teresa Leitão (PT-PE) para a liderança do governo no Senado, substituindo Jaques Wagner. As prioridades da nova gestão incluem a tramitação da PEC da Segurança Pública e a proposta de fim da escala 6x1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou a senadora Teresa Leitão (PT-PE) para assumir a liderança do governo no Senado. A escolha ocorre após o afastamento de Jaques Wagner (PT-BA), que deixou o cargo devido a investigações da Polícia Federal na operação Compliance Zero, que apura vínculos do parlamentar com Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master.

A indicação de Leitão, integrante da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB) do PT, foi fundamentada em seu perfil moderado e na boa aceitação entre pares, inclusive da oposição, além do fato de a senadora não disputar reeleição. Embora a nova líder tenha manifestado a intenção de fortalecer a articulação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ela não integra o círculo íntimo de aliados do parlamentar e não possui a mesma influência política de seu antecessor.

A movimentação é interpretada no Legislativo como um sinal de que o Executivo pretende manter a liderança sob controle do PT, evitando confrontos diretos com o Senado até o período eleitoral. No entanto, a troca de liderança não deve alterar a dinâmica de articulação, que permanece prejudicada pelo rompimento entre Lula e Alcolumbre. O conflito teve início após a rejeição da indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre as prioridades estabelecidas por Lula para a nova liderança estão o avanço da PEC da Segurança Pública, aprovada na Câmara em março, e a PEC que propõe o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. Ambas as propostas estão retidas por Alcolumbre e ainda não foram encaminhadas à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). No caso da escala 6x1, o presidente do Senado chegou a cancelar reunião com Otto Alencar (PSD-BA), presidente da CCJ, para tratar da relatoria e tramitação. Apesar de interlocutores de Alcolumbre sinalizarem que a votação ocorra antes do recesso ou, no máximo, até as eleições de outubro, a pauta não é tratada com a mesma urgência pelo comando da Casa.

A fragilidade da articulação governamental estende-se à liderança do governo no Congresso, ocupada por Randolfe Rodrigues (PT-AP). Candidato à reeleição, Randolfe mantém proximidade com Alcolumbre, relação evidenciada na última quinta-feira (18), quando o senador acompanhou o presidente do Senado no cancelamento de uma sessão conjunta por ausência de acordo sobre vetos.

O cenário de distanciamento entre a Presidência e a presidência do Senado resultou em negociações diretas entre ministros e Alcolumbre, excluindo a liderança do governo. Exemplos recentes incluem tratativas do ministro da Defesa, José Múcio, para a liberação de R$ 2,5 bilhões em investimentos na área, e tentativas do ministro da Fazenda, Dario Durigan, de conter pautas com impacto fiscal superior a R$ 150 bilhões.

Teresa Leitão deve se reunir com o presidente Lula nesta segunda-feira (29) para alinhar as estratégias de atuação. Contudo, a expectativa institucional é que Alcolumbre continue a conduzir a agenda do Senado com autonomia em relação ao governo até as eleições, independentemente da nova interlocução.

Notícias Relacionadas