Política

Lula planeja resposta após governo dos Estados Unidos classificar facções criminosas como organizações terroristas

29 de Maio de 2026 às 09:19

O presidente Lula planeja responder à decisão do governo de Donald Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras. O Ministério da Justiça analisará prejuízos na cooperação contra o crime, enquanto a Fazenda estudará impactos econômicos. O governo brasileiro avalia a defesa da soberania nacional e a possibilidade de contato direto com o líder norte-americano

Lula planeja resposta após governo dos Estados Unidos classificar facções criminosas como organizações terroristas
Jornal Nacional/ Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara uma resposta à decisão do governo de Donald Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras. A medida, anunciada pelo Departamento de Estado sob a gestão de Marco Rubio, surpreendeu o Itamaraty e o Ministério da Justiça, motivando o presidente a planejar uma defesa da soberania nacional e a possibilidade de realizar um telefonema direto com o líder norte-americano.

A reação do Planalto ocorre após uma noite de quinta-feira (28) dedicada a reuniões com a cúpula do governo. Lula dialogou, majoritariamente por telefone, com o chanceler Mauro Vieira, o ministro da Justiça, Wellington César, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e Audo Faleiro, da Assessoria Especial da Presidência. Como desdobramento, o Ministério da Justiça deve levantar os possíveis prejuízos da medida na cooperação bilateral contra o crime organizado, enquanto o Ministério da Fazenda realizará um estudo sobre os impactos econômicos da decisão.

Internamente, auxiliares do presidente avaliam que a determinação pode ter sido impulsionada pela ala mais radical do governo dos Estados Unidos, sem a participação direta de Trump na formulação. No entanto, o governo brasileiro observa que a medida pode ser reflexo da influência de Flávio Bolsonaro, que defendeu a classificação durante visita à Casa Branca nesta semana. Para a equipe de Lula, houve uma falha diplomática por parte de Trump ao não negociar ou avisar o Brasil previamente.

A estratégia do governo agora busca articular uma cooperação específica com os Estados Unidos para o combate ao crime organizado. Paralelamente, a equipe de comunicação do presidente discute a melhor forma de criticar a ação norte-americana sem que o discurso seja interpretado como uma defesa das facções criminosas. Uma das táticas em análise é priorizar as consequências diplomáticas e econômicas da medida para angariar apoio de setores empresariais e do mercado financeiro.

Embora existam duas versões de notas oficiais prontas, o governo ainda não decidiu se emitirá um comunicado nesta sexta-feira (29) ou se aguardará. Há, contudo, a recomendação de que Lula aborde o tema publicamente durante um evento em Sergipe, ainda nesta sexta, focando na questão da soberania brasileira. No campo político, o Planalto busca a neutralidade de Trump no processo eleitoral, embora considere a possibilidade de explorar a imagem negativa do americano perante a população brasileira caso o apoio ao filho de Bolsonaro se torne evidente.

Com informações de G1

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