Lula recebe Michelle Bachelet para discutir sucessão do secretário-geral da ONU
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe, nesta segunda-feira (11), a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet no Palácio do Planalto. O encontro ocorre durante as articulações para a sucessão do secretário-geral da ONU, cargo disputado por Bachelet e outros três candidatos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe, às 15h30 desta segunda-feira (11), no Palácio do Planalto, a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet. A agenda ocorre em um contexto de articulações internacionais para a sucessão do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), cargo atualmente ocupado pelo português António Guterres.
Bachelet é um dos quatro nomes que disputam a posição, ao lado do diplomata argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica; da ex-vice-presidente da Costa Rica, Rebeca Grynspan; e do ex-presidente do Senegal, Macky Sall. A ex-mandatária chilena possui trajetória como médica e socialista, tendo governado o Chile em dois períodos, entre 2006 e 2010 e entre 2014 e 2018, com foco em reformas tributárias, educacionais e combate às desigualdades sociais. No âmbito multilateral, atuou como Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, onde defendeu a transparência eleitoral e criticou ataques a instituições democráticas, inclusive no Brasil.
A possível ascensão de Bachelet ao comando da ONU é vista por aliados do governo brasileiro como um avanço simbólico para a representatividade do Sul Global, pauta defendida por Lula em críticas à atual estrutura do Conselho de Segurança da entidade. Além disso, a candidatura fortalece a possibilidade de a organização ter, pela primeira vez em 80 anos, uma mulher como secretária-geral, rompendo a sequência de nove homens que ocuparam o posto.
Apesar do trânsito entre lideranças de esquerda na América Latina, a candidatura de Bachelet enfrenta resistência interna no Chile. O presidente José Antonio Kast, do Partido Republicano, retirou o apoio ao nome da compatriota.
O processo de escolha do novo secretário-geral, que assume em 1º de janeiro de 2027 para um mandato de cinco anos, inicia-se em 2026. A definição depende de articulações diplomáticas e do Conselho de Segurança da ONU, onde os membros permanentes — Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido — detêm poder de veto sobre a indicação que será posteriormente votada na Assembleia Geral.
O cargo exige que o escolhido lidere o secretariado e as operações globais, implemente decisões dos Estados-membros, atue como mediador em crises e encaminhe ao Conselho de Segurança temas que coloquem em risco a paz internacional. Para o Brasil, o encontro com Bachelet integra a estratégia de ampliar o protagonismo em fóruns globais e consolidar a articulação política na região.