Política

Lula rejeita intervenções internacionais após Estados Unidos classificarem facções brasileiras como organizações terroristas

29 de Maio de 2026 às 15:14

O presidente Lula rejeitou intervenções internacionais no Brasil após os Estados Unidos classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O governo defendeu a soberania nacional e cobrou a extradição de foragidos que residem em território americano

Lula rejeita intervenções internacionais após Estados Unidos classificarem facções brasileiras como organizações terroristas
Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou a possibilidade de intervenções internacionais no Brasil após o Departamento de Estado dos Estados Unidos, sob a gestão de Marco Rubio, classificar as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras. Em pronunciamento realizado nesta sexta-feira (29), durante agenda em Sergipe, o presidente afirmou que o combate ao crime organizado será conduzido internamente, fundamentado na legislação brasileira, como a Lei Antifacção.

Lula manifestou decepção com a decisão norte-americana e argumentou que, embora as facções atuem como terroristas para as populações de periferia, o foco do governo dos Estados Unidos difere da realidade brasileira. O presidente defendeu a soberania nacional, expressando preocupação com o interesse estrangeiro sobre as reservas de minerais críticos, ouro, diamantes e a floresta Amazônica, destacando que o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, insumos essenciais para a indústria de tecnologia.

Em paralelo, o Palácio do Planalto publicou nota oficial reiterando que a soberania do país é inegociável e que a classificação de crimes cabe exclusivamente às instituições e leis brasileiras. O governo alertou que medidas unilaterais dos Estados Unidos podem prejudicar o compartilhamento de informações entre polícias, fragilizar o combate ao crime e impactar o sistema financeiro nacional, citando inclusive possíveis riscos a inovações como o PIX.

O governo brasileiro também criticou a atuação de integrantes da família Bolsonaro, classificando como deplorável a viagem de membros do grupo aos Estados Unidos para defender a intervenção estrangeira no país. O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, reuniu-se nesta terça-feira (26) com Donald Trump em Washington e, no dia seguinte, foi recebido por Marco Rubio.

Como contrapartida ao combate ao crime organizado, Lula cobrou a entrega de brasileiros foragidos que residem em território americano. O presidente citou o ex-deputado Alexandre Ramagem, condenado por tentativa de golpe de Estado e que aguarda pedido de asilo nos EUA, além de Ricardo Magro, proprietário do Grupo Refit. Magro, alvo de operação da Polícia Federal por contrabando de combustíveis e considerado um dos maiores devedores de impostos do país, teve a localização de sua residência em Miami informada a Donald Trump.

A tensão ocorre em um contexto de monitoramento conjunto entre a Polícia Federal, a Receita Federal e o Ministério da Fazenda sobre fraudes tributárias e lavagem de dinheiro. As investigações apontam que criminosos utilizam o estado de Delaware, nos Estados Unidos, como paraíso fiscal para evadir recursos do Brasil e posteriormente reintroduzi-los de forma legalizada.

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