Política

Lula teria pedido para Jaques Wagner permanecer no cargo apesar de investigações sobre o caso Master

19 de Junho de 2026 às 09:01

A operação envolvendo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, no caso Master, gera desgaste ao Palácio do Planalto. O governo orientou o senador a prestar esclarecimentos e entregar o cargo, mas Lula pediu que ele permanecesse na função. A Polícia Federal e o ministro André Mendonça mantêm as apurações com base em depoimentos e materiais apreendidos

A operação que envolve o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, impõe um desgaste político ao Palácio do Planalto ao fragilizar a tese do PT de que o escândalo do caso Master estaria restrito a figuras do Centrão e da direita. Diante do cenário, a orientação interna do governo era que o senador prestasse esclarecimentos sobre os pagamentos investigados e entregasse o cargo, visando isolar a crise e evitar a contaminação da imagem do partido e da gestão federal.

Havia, entre auxiliares do governo, a compreensão de que o afastamento de Wagner deveria ter sido concretizado ainda no ano passado para conter a amplitude do problema. Essa estratégia foi confrontada por uma declaração do próprio senador, que afirmou ter recebido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o pedido para "ficar firme", sob a justificativa de que seria vítima de perseguição. A fala gerou perplexidade nos bastidores, pois vincula a decisão presidencial ao caso e prejudica a tentativa de distanciar a administração do senador.

Para preservar a agenda governamental e mitigar os impactos do escândalo, a tendência agora é que o PT tente desvincular a sigla do episódio, concentrando a responsabilidade na conduta individual de Jaques Wagner.

Paralelamente, a Polícia Federal e o ministro André Mendonça sinalizam a continuidade das apurações. O processo baseia-se em depoimentos, celulares apreendidos e materiais coletados, elementos considerados fundamentais para a investigação. No Judiciário e entre os investigadores, o volume de provas reunidas é visto como a explicação para a dimensão do escândalo e para as pressões exercidas para enfraquecer a operação. O caso é tratado internamente como uma investigação de alcance suprapartidário, com potencial para atingir nomes de diversos espectros políticos, da esquerda à direita.

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