Política

Maioria dos brasileiros considera prioritária a indicação de uma mulher para vaga no STF

19 de Maio de 2026 às 12:45

Pesquisa Datafolha indica que 51% dos brasileiros consideram prioritária a nomeação de uma mulher para a vaga aberta no STF. O levantamento, realizado com 2.004 pessoas, aponta que o conhecimento jurídico é a exigência mais expressiva, valorizada por 85% dos entrevistados

Maioria dos brasileiros considera prioritária a indicação de uma mulher para vaga no STF
Nelson Jr./SCO/STF

A maioria dos brasileiros considera prioritária a indicação de uma mulher para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), segundo levantamento do Datafolha divulgado nesta segunda-feira (18). O índice de concordância é de 51% para a importância "muito alta", enquanto 18% classificam a escolha como "um pouco importante" e 27% não atribuem relevância ao critério. Atualmente, a ministra Cármen Lúcia é a única mulher na composição da Corte.

A representatividade racial também aparece como fator relevante: 46% dos entrevistados veem como muito importante a nomeação de uma pessoa negra, somando-se a 16% que consideram o ponto "um pouco importante", contra 35% que não veem importância na condição.

O cenário de indicações ocorre após a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, anunciada em outubro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve sua indicação, o advogado-geral da União Jorge Messias, rejeitada pela maioria do Senado. Messias possuía perfil evangélico, característica utilizada para atrair o eleitorado religioso. A pesquisa indica que 59% da população desconhecia a rejeição do nome. Entre os que sabiam do episódio, 53% avaliam que o governo ficou mais fraco, 36% acreditam que não houve interferência e 7% consideram que a situação fortaleceu a gestão.

Quanto aos critérios técnicos e políticos, o conhecimento jurídico é a exigência mais expressiva, sendo considerado muito importante por 85% dos respondentes, enquanto 6% o veem como pouco importante e outros 6% como "um pouco importante". A independência em relação a partidos e políticos é valorizada por 64% dos entrevistados, com 16% considerando o fator "um pouco importante" e 14% "nada importante".

A lealdade ao presidente que realiza a indicação é vista como muito importante por 51% dos brasileiros, ao passo que 25% descartam a relevância desse ponto. A afinidade política com senadores e deputados federais é prioridade para 47%, enquanto 26% não consideram esse critério importante. Além disso, 53% consideram fundamental que o indicado tenha o apoio dos atuais ministros do Supremo, enquanto 20% veem isso como "um pouco importante" e outros 20% como irrelevante. A religiosidade do indicado também foi ponderada, sendo considerada muito importante por 46% e um pouco importante por 20%.

A análise segmentada por preferência eleitoral revela divergências: entre quem pretende votar em Lula em 2026, 64% priorizam a indicação de uma mulher e 60% a de uma pessoa negra. Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, esses índices caem para 41% e 35%, respectivamente. No quesito lealdade ao presidente, 63% dos apoiadores de Lula consideram o ponto muito importante, contra 45% entre os simpatizantes de Flávio Bolsonaro.

O estudo foi realizado presencialmente nos dias 12 e 13 de maio, abrangendo 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em todo o território nacional. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com registro no TSE sob o número BR-00290/2026.

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