Política

Maioria dos brasileiros vê decisão dos Estados Unidos sobre facções como interferência em questões internas

27 de Junho de 2026 às 06:05

Pesquisa Ipsos-Ipec indica que 54% dos brasileiros veem a classificação do PCC e CV como organizações terroristas pelos Estados Unidos como interferência interna. A medida americana, vigente desde 5 de junho, permite a punição de quem auxilie as facções e o congelamento de bens. O governo brasileiro manifestou oposição à decisão sob a justificativa de comprometimento da soberania nacional

Maioria dos brasileiros vê decisão dos Estados Unidos sobre facções como interferência em questões internas
Divulgação

A maioria dos brasileiros considera que a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas constitui uma interferência em questões internas do Brasil. Segundo levantamento da Ipsos-Ipec, divulgado nesta sexta-feira (26), 54% dos entrevistados concordam, total ou parcialmente, com essa percepção, enquanto 35% discordam.

A medida, anunciada em 28 de maio e em vigor desde 5 de junho, altera o status das facções, que deixam de ser tratadas apenas como crime organizado e narcotráfico para serem enquadradas como terrorismo sob a legislação americana. Na prática, isso permite que os EUA punam pessoas ou empresas que ofereçam qualquer tipo de assistência, seja logística, financeira ou de serviços, aos grupos. A decisão impõe maior rigor a instituições financeiras brasileiras com vínculos nos Estados Unidos e possibilita o congelamento de bens em território norte-americano, além de restrições de entrada no país para os indivíduos enquadrados. No Brasil, a legislação permanece inalterada, mantendo a classificação dos grupos como organizações criminosas.

No âmbito institucional, a ação representa um revés para o governo Lula, que buscava estreitar relações com o presidente Donald Trump após a implementação de tarifas em 2025. A gestão federal manifestou-se contrária à medida, sob o argumento de que a classificação compromete a soberania nacional ao criar justificativas para eventuais intervenções militares dos EUA em solo brasileiro para o combate ao terrorismo. O anúncio foi feito pelo secretário de estado, Marco Rubio, em período coincidente com a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Casa Branca. A oposição, por sua vez, interpreta a resistência do governo brasileiro como conivência com o crime organizado.

Quanto aos impactos sociais e econômicos, a pesquisa indica que a maior preocupação de 56% dos brasileiros é o risco aumentado para os moradores de comunidades dominadas pelo PCC e CV. Em contrapartida, 33% discordam dessa visão. Sobre a economia, 47% acreditam que a medida prejudicará o país, e 48% veem a classificação como uma ameaça aos recursos nacionais. No que se refere ao sistema PIX, a maioria dos entrevistados (52%) não acredita que o método de pagamento seja ameaçado pela decisão americana, enquanto 33% discordam.

A percepção sobre a segurança pública geral divide a população: 48% creem que a medida pode melhorar esse cenário, contra 41% que discordam. Já a cooperação policial entre Brasil e Estados Unidos apresenta a maior polarização, com 43% dos entrevistados acreditando que a parceria será prejudicada e outros 43% refutando essa possibilidade.

O estudo foi realizado entre 13 e 17 de junho, abrangendo 2.000 pessoas em 130 municípios. A pesquisa possui nível de confiança de 95% e margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

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