Política

Maioria dos entrevistados apoia posição de Lula sobre novas tarifas alfandegárias dos Estados Unidos

10 de Junho de 2026 às 09:28

Pesquisa Quaest indica que 47% dos entrevistados apoiam a visão do presidente Lula sobre tarifas alfandegárias dos EUA, enquanto 35% concordam com Flávio Bolsonaro. O levantamento aponta que 60% defendem a classificação de facções criminosas como organizações terroristas pelo governo brasileiro. Em cenário de primeiro turno, Lula detém 39% das intenções de voto contra 29% de Flávio Bolsonaro

Maioria dos entrevistados apoia posição de Lula sobre novas tarifas alfandegárias dos Estados Unidos
Divulgação

A maioria dos entrevistados em levantamento da Quaest, divulgado nesta quarta-feira (10), concorda com a posição do presidente Lula (PT) em relação às novas tarifas alfandegárias propostas pelos Estados Unidos. Enquanto 47% dos participantes apoiam a visão de Lula, que atribui a Flávio Bolsonaro (PL) a solicitação do aumento de impostos sobre produtos brasileiros, 35% concordam com o parlamentar, que afirma ter pedido ao presidente Donald Trump a não aplicação de tais taxas. Outros 18% não souberam ou não quiseram responder.

A pesquisa é o primeiro termômetro sobre a reação do eleitorado à proposta americana de aplicar tarifas de 25% sobre mercadorias do Brasil. A medida, que ainda não entrou em vigor, decorre de uma investigação dos EUA que aponta a adoção de práticas restritivas ao comércio por parte do governo brasileiro.

O estudo também abordou a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelo governo de Donald Trump, decisão divulgada no fim de maio e implementada em junho. O anúncio ocorreu um dia após a reunião entre Flávio Bolsonaro e o secretário de Estado americano, Marco Rubio. Sobre esse fato, 47% dos entrevistados acreditam que o senador influenciou a decisão de Trump, enquanto 37% negam essa participação e 16% não se manifestaram.

Quanto ao conhecimento da medida, 63% dos participantes já estavam cientes, enquanto 36% souberam durante a entrevista e 1% não respondeu. Sobre a natureza dessas facções, 60% defendem que o governo brasileiro as classifique como organizações terroristas, contra 29% que discordam e 11% de indecisos. Já em relação à decisão dos Estados Unidos de adotar tal classificação, há um empate: 45% concordam e 45% discordam, com 10% de não respondentes.

No âmbito institucional, a medida americana gera divergências: há quem defenda a ampliação da cooperação internacional, enquanto outros apontam riscos à soberania nacional.

O levantamento incluiu ainda questões sobre a percepção do relacionamento entre Brasil e EUA e os vínculos de Lula e Flávio Bolsonaro com Donald Trump. Metade dos entrevistados afirmou conhecer a reunião ocorrida entre Trump e Flávio Bolsonaro no fim de maio, enquanto a outra metade desconhecia o encontro.

Em cenários eleitorais, a pesquisa indica que, no primeiro turno, Lula detém 39% das intenções de voto contra 29% de Flávio Bolsonaro. Em um eventual segundo turno, a vantagem de Lula sobe para 44%, frente a 38% do adversário. Adicionalmente, 12% dos respondentes afirmam que a relação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro reduz a vontade de votar no parlamentar para a presidência. Sobre a gestão atual, 48% desaprovam e 47% aprovam o governo Lula.

A coleta de dados ocorreu entre 5 e 8 de junho de 2026, com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é o BR-07661/2026.

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