Política

Maioria dos perfis artificiais de debate político nas redes sociais não indica uso de IA

20 de Maio de 2026 às 06:19

Levantamento do Data Privacy Brasil e Aláfia Lab identificou 18 perfis sintéticos de debate político entre janeiro de 2025 e abril de 2026, sendo que 61% não sinalizam o uso de inteligência artificial. O estudo aponta que 78% desses avatares veicularam desinformação sobre figuras políticas e instituições democráticas, principalmente no TikTok e Instagram

Maioria dos perfis artificiais de debate político nas redes sociais não indica uso de IA
Reprodução

Um levantamento conduzido pelas organizações Data Privacy Brasil e Aláfia Lab, por meio do Observatório das Eleições, revelou que 61% dos perfis artificiais criados para debater política nas redes sociais não apresentam qualquer indicação de terem sido produzidos por inteligência artificial. Entre janeiro de 2025 e abril de 2026, a pesquisa mapeou 18 casos de avatares sintéticos que se passam por eleitores, influenciadores, apresentadores, comentaristas e lideranças populares.

A ausência de sinalização contraria as normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que exige que conteúdos manipulados ou criados por IA contenham avisos explícitos, em local de destaque e de fácil visualização, detalhando a tecnologia utilizada. Nos sete casos em que houve algum tipo de marcação, a informação apareceu de forma fragmentada: três vezes por marcadores automáticos das plataformas, duas por marcas d’água de ferramentas e duas por meio de hashtags. Em diversas situações, a natureza artificial dos perfis só foi detectada via análise técnica de resolução, proporções e elementos robotizados em áudios e imagens.

O estudo aponta que esses avatares atuam como vetores de desinformação, com 78% dos casos — 14 dos 18 mapeados — veiculando alegações enganosas sobre instituições democráticas ou figuras políticas. Os alvos incluíram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente Jair Bolsonaro e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Luís Roberto Barroso. A distribuição ocorreu majoritariamente no TikTok e no Instagram, com seis registros em cada, seguidos pelo YouTube, com três, além de ocorrências no X, Kwai e Facebook.

Entre os exemplos de repercussão está a personagem “Dona Maria”, uma senhora negra e idosa criada para criticar o governo federal e setores da esquerda, com mais de 400 vídeos publicados. O conteúdo resultou em uma ação no TSE movida por PT, PV e PCdoB, que solicitam a suspensão dos perfis. Paralelamente, páginas governistas como Lula Pela Verdade, Comitê Popular Oficial, Brasil Fora da Caverna, Esquerda Brasil 4.0 e Jovem Esquerda Br adaptaram a personagem para defender o presidente. Em vídeo de 23 de abril, a versão governista da idosa criticou a família Bolsonaro e a escala de trabalho 6x1.

Outro avatar identificado foi o "Seu Zé da Feira", um homem idoso e negro ambientado em uma feira livre. O personagem defende a gestão atual e critica partidos como PL, PP, Republicanos e União, classificando políticos de direita e do centrão como um "sindicato de patrão". Diferente de outros casos, as publicações do "Seu Zé" trazem a marca d’água da ferramenta Veo 3 e a sinalização de conteúdo sintético da plataforma.

A análise conclui que a criação de personagens inteiros, com aparência humana, para simular opiniões espontâneas e influenciar debates políticos representa um novo desafio para a integridade do ambiente informacional.

Com informações de G1

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