Mascote do TSE para incentivar a participação nas eleições gera críticas nas redes sociais
O Tribunal Superior Eleitoral lançou a mascote Pilili para incentivar a participação nas eleições, mas a personagem motivou críticas e ataques às urnas eletrônicas nas redes sociais. Representantes do tribunal afirmam que o sistema de votação não apresenta fraudes desde 1996
O lançamento da mascote Pilili, personagem criada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para incentivar a participação social nas eleições deste ano, tornou-se o centro de novas críticas e ataques contra as urnas eletrônicas nas redes sociais. A personagem, cujo nome remete ao som de confirmação do voto e que não possui gênero definido, foi apresentada durante a celebração dos 30 anos do sistema de votação eletrônica no Brasil.
A iniciativa do tribunal visa promover o pleito para a escolha de presidente, governadores, senadores e deputados. Durante o evento, a ministra Cármen Lúcia, que transfere a presidência do TSE para Nunes Marques nesta terça-feira (12), afirmou que a substituição do papel pelo equipamento eletrônico eliminou as fraudes eleitorais e impediu que pessoas votassem no lugar de outras, assegurando que o resultado reflita a escolha popular. No mesmo sentido, o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Julio Valente, reiterou que não existe qualquer comprovação de fraude no processo brasileiro desde 1996.
Apesar do posicionamento institucional, a figura de Pilili foi interpretada por críticos nas redes sociais como uma tentativa de "maquiar" problemas ou desviar a atenção de uma suposta crise institucional. O ex-deputado estadual Arthur do Val, que teve o mandato cassado por quebra de decoro, questionou a estratégia do tribunal ao sugerir que a criação do personagem seria uma medida para conter tal crise. Em publicações na rede X, outros usuários alegaram que a mascote infantiliza o eleitor para esconder irregularidades e defenderam o retorno ao voto impresso e à contagem pública.
O histórico de questionamentos sobre a segurança do sistema remete ao pleito de 2022, quando Jair Bolsonaro realizou ataques sucessivos às urnas. O ex-presidente foi condenado pelo TSE por abuso de poder e tornou-se inelegível após promover uma reunião com embaixadores no Palácio do Planalto para levantar suspeitas sem provas. Posteriormente, investigações da Polícia Federal indicaram que Mauro Cid, auxiliar de Bolsonaro, admitiu a aliados a inexistência de indícios de fraudes.
Sobre a integridade técnica do sistema, a estrutura das urnas impede a conexão com a internet, impossibilitando a inserção de programas externos ou ataques via rede. O processamento dos votos ocorre por meio de um flash card, executando exclusivamente o software oficial do TSE com a lista de candidatos.
Questionado sobre as reações negativas e os ataques recentes nas redes sociais, o Tribunal Superior Eleitoral não se manifestou.