Mauro Vieira e Marco Rubio discutem tarifas comerciais e classificação de facções em Paris
Mauro Vieira e Marco Rubio se reúnem em Paris nos dias 3 e 4 de junho para discutir a classificação de facções brasileiras como terroristas. A pauta inclui a tentativa de reverter a recomendação de tarifa de 25% sobre produtos do Brasil
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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, devem se reunir em Paris nos dias 3 e 4 de junho. O encontro ocorrerá paralelamente às reuniões ministeriais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e servirá para discutir a classificação de facções brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas por parte do governo de Donald Trump.
A pauta da reunião foi ampliada após a divulgação de um relatório do Escritório de Comércio dos EUA (USTR), que sugeriu a aplicação de uma tarifa geral de 25% sobre produtos brasileiros. O governo brasileiro tenta agora encontrar formas de reverter essa recomendação de barreira comercial, tema que já havia sido abordado em uma conversa telefônica entre Vieira e Rubio em janeiro, juntamente com pautas de comércio e cooperação em segurança pública.
Diante do anúncio americano, o vice-presidente Geraldo Alckmin liderou, nesta terça-feira (2), uma reunião de emergência com ministros para definir estratégias de contenção de danos. Durante a articulação, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias, destacou que a taxação de 25% impactaria severamente os setores de plásticos, máquinas e equipamentos.
A diplomacia brasileira pretende priorizar o diálogo por meio de canais técnicos com os Estados Unidos, sob a avaliação governamental de que ainda existe viabilidade política para negociar e interromper a medida protecionista.
As tratativas entre Vieira e Rubio são vistas como fundamentais para viabilizar um eventual novo diálogo entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Esse movimento considera que as decisões do USTR e do Departamento de Estado são influenciadas por um grupo de base ideológica republicana, o mesmo núcleo que recebeu o senador Flávio Bolsonaro em Washington na última semana.