Michelle Bolsonaro deixa a presidência do PL Mulher para focar em cuidados familiares e saúde do pai
Michelle Bolsonaro deixou a presidência do PL Mulher após reunião com Valdemar Costa Neto, sendo substituída interinamente por Priscila Costa. O senador Flávio Bolsonaro repudiou falas de Paulo Figueiredo durante evento com lideranças femininas do partido. A ex-primeira-dama justificou a saída para cuidar da filha e de Jair Bolsonaro
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A saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher foi recebida com alívio por aliados do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República. A movimentação é vista por parlamentares e integrantes da pré-campanha como uma forma de reduzir o desgaste político e afastar a ex-primeira-dama dos holofotes temporariamente, eliminando um dos principais focos de tensão do grupo.
A decisão ocorreu após uma reunião entre Michelle e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. O desdobramento alterou a agenda de Flávio Bolsonaro, que previa a participação de Michelle em um encontro com lideranças femininas do partido em Brasília para sinalizar a superação da crise entre ambos. A reunião aconteceu nesta quarta-feira (1º) sem a presença da ex-primeira-dama, embora tenha contado com a participação de aliadas dela, como as deputadas Julia Zanatta (PL-SC) e Bia Kicis (PL-SP). A presença de Zanatta e Kicis, citadas como possíveis nomes para a vice-presidência na chapa de Flávio, foi interpretada como um gesto de apoio ao senador.
Durante o evento, Flávio Bolsonaro repudiou declarações do blogueiro Paulo Figueiredo, que afirmou em transmissão no YouTube que mulheres, especialmente as solteiras, "votam muito mal", e criticou Michelle por um vídeo no qual ela relatou ter sido "maltratada" e "humilhada" por ele. O senador afirmou que a fala foi equivocada e que o blogueiro não integra sua campanha.
No comando do PL Mulher, a vice-presidente Priscila Costa assumiu a gestão interina, mas a definição de quem ocupará a presidência definitivamente ainda não foi estabelecida. O cenário gerou disputa interna entre parlamentares, motivada pela influência política e pelo controle do orçamento do núcleo feminino, que recebeu R$ 16,2 milhões para ampliar os ganhos políticos de 2026, conforme levantamento de março do jornal O Globo.
A crise entre Michelle e Flávio teve como um dos pivôs a atuação de Priscila Costa. A ex-primeira-dama alegava possuir um acordo com Jair Bolsonaro para apoiar a pré-candidatura da deputada ao Senado pelo Ceará, porém o deputado André Fernandes (PL-CE) passou a defender a candidatura de seu pai, o deputado estadual Alcides Fernandes (PL), para a mesma vaga.
Ao anunciar o desligamento do cargo, Michelle Bolsonaro deixou aberta a possibilidade de concorrer ao Senado e justificou a decisão informando que se dedicará integralmente aos cuidados da filha e do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após condenação por golpe de Estado.