Política

Partidos buscam definições para as candidaturas ao governo de Minas Gerais a cinco meses do pleito

12 de Maio de 2026 às 06:11

Partidos definem candidaturas ao governo de Minas Gerais, com o PL avaliando alianças ou nomes próprios em reunião em Brasília. O PT articula a viabilização de Rodrigo Pacheco, enquanto Alexandre Kalil mantém pretensões independentes. O senador Cleitinho Azevedo deve anunciar sua decisão em julho

A disputa pelo governo de Minas Gerais, estado com o segundo maior colégio eleitoral do país e histórico de peso nas eleições presidenciais, segue sem definições a cinco meses do pleito. O cenário atual é marcado por incertezas nas principais legendas, que buscam destravar a formação de seus palanques.

No PL, a definição de quem representará a candidatura do senador Flávio Bolsonaro passa por uma reunião estratégica nesta terça-feira (12), em Brasília. O encontro contará com a presença do presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, do senador Rogério Marinho — coordenador da campanha de Flávio e líder da oposição no Senado —, além dos deputados Domingos Sávio, Zé Vitor e Nikolas Ferreira.

O partido avalia três caminhos distintos. Um deles envolve uma aliança com o governador Mateus Simões (PSD), mediante um acordo onde Romeu Zema (Novo), que renunciou ao cargo para concorrer à Presidência, desistiria de seus planos para apoiar Flávio Bolsonaro. Embora Zema tenha sido cogitado como vice, ele nega publicamente essa possibilidade. Outra alternativa é a candidatura própria com nomes como Vittorio Medioli, ex-prefeito de Betim, ou Flávio Roscoe, ex-presidente da FIEMG. Roscoe, que se filiou ao PL em abril, colocou-se à disposição, embora não participe das reuniões internas e apresente baixa expressividade nas pesquisas, com 2% das intenções de voto no levantamento da Quaest de abril.

Apesar de liderar as pesquisas, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) ainda não confirmou se disputará o cargo, prometendo um anúncio em julho. O parlamentar, que se declara independente, mas mantém apoio a Jair Bolsonaro, enfrenta resistência interna no PL. O deputado Nikolas Ferreira opõe-se à escolha de Cleitinho por divergências ideológicas. No entanto, interlocutores do Centrão sugerem que a rivalidade pode ser motivada por uma disputa de espaço futuro, já que ambos possuem forte presença digital e bases expressivas, com Nikolas detendo 22 milhões de seguidores no Instagram contra 4,2 milhões de Cleitinho.

Do lado governista, o PT tenta viabilizar a candidatura do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que migrou do PSD para o PSB em abril. O presidente Lula vê no senador um nome competitivo para assegurar a base mineira, fundamental para sua reeleição. Contudo, a articulação sofreu instabilidades após a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Embora Pacheco tenha declarado apoio a Messias, a proximidade do senador com Davi Alcolumbre (União) — opositor da indicação — gerou desconfiança em setores do PT.

Pacheco havia estabelecido o fim de maio como prazo para decidir sua candidatura, mas a ausência de um anúncio mantém as especulações. O deputado Rogério Correia, vice-líder do governo na Câmara, defende a pré-candidatura do senador, atribuindo a demora a questões familiares e partidárias. Para alinhar os próximos passos, o presidente do PT, Edinho Silva, deve conversar com Pacheco.

Como alternativas, o PT mantém diálogo com Alexandre Kalil (PDT) e o empresário Josué Gomes, filho de José Alencar. Kalil, que aparece com 14% nas pesquisas da Quaest, afirmou que será candidato ao governo independentemente de siglas ou alianças, descartando a disputa por uma vaga no Senado por razões pessoais. O ex-prefeito de Belo Horizonte relatou conversas com oito partidos, incluindo PSDB, Rede, PSOL e PT.

A relevância de Minas Gerais no tabuleiro político é evidenciada pelo fato de que, desde 1989, todos os presidentes eleitos venceram no estado. Em 2022, a disputa foi decidida por uma margem estreita: Lula obteve 50,2% dos votos contra 49,8% de Jair Bolsonaro, uma diferença de menos de 50 mil votos em um universo de 16 milhões de eleitores.

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