Peru e Colômbia realizam eleições presidenciais com candidatos de direita favoritos nas pesquisas
Peru e Colômbia realizam eleições presidenciais neste mês de junho, com candidatos de direita liderando as pesquisas. No Peru, a votação ocorre domingo (7), enquanto na Colômbia o pleito será no dia 21
Peru e Colômbia definem, neste mês de junho, a orientação ideológica de seus governos para os próximos anos. O Peru realiza a votação neste domingo (7), enquanto a Colômbia decide seu sucessor no dia 21. Em ambas as nações, a direita chega ao pleito como favorita, após liderar a primeira etapa do processo eleitoral, revertendo o cenário dos últimos pleitos presidenciais, que foram vencidos por candidatos de esquerda.
No Peru, a disputa central ocorre entre Keiko Fujimori, de direita, que busca a presidência pela quarta vez, e Roberto Sánchez, ex-ministro do governo de Pedro Castillo. O país atravessa um período de instabilidade política desde 2022, quando Castillo foi destituído e preso após tentar dissolver o Congresso. Desde então, a gestão passou por Dina Boluarte e outros membros do Legislativo, estando atualmente sob o comando de José María Balcázar Zelada, deputado de esquerda que assumiu o cargo em fevereiro.
Na Colômbia, o pleito definirá a continuidade ou a ruptura com o projeto de Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda do país. Sem possibilidade de reeleição, Petro apoia o senador Ivan Cepeda, que ocupa a segunda posição nas pesquisas. A liderança é de Abelardo de la Espriella, representante da direita radical, cuja plataforma se inspira em figuras como Javier Milei, da Argentina, e Nayib Bukele, de El Salvador.
Esses processos eleitorais integram um movimento de guinada à direita na América do Sul. Recentemente, Javier Milei assumiu o poder na Argentina em novembro de 2023, seguido pela reeleição de Daniel Noboa no Equador em abril de 2025. No mesmo ano, Rodrigo Paz venceu na Bolívia em outubro, encerrando quase duas décadas de hegemonia do Movimento ao Socialismo, e José Antonio Kast triunfou no Chile em dezembro. A exceção regional ocorreu no Uruguai, onde Yamandú Orsi venceu em novembro de 2024.
Na Venezuela, Nicolás Maduro foi reeleito em 2024, mas foi capturado pelo governo de Donald Trump no início deste ano, transferindo a presidência para Delcy Rodriguez. A nova gestão venezuelana tem desmantelado o modelo econômico chavista e mantido diálogo com Washington. Já Guiana e Suriname seguem sob governos de esquerda. Fora da América do Sul, a direita venceu recentemente em El Salvador, Honduras, Panamá, República Dominicana e Costa Rica, enquanto a esquerda prevaleceu no México e na Guatemala.
A consolidação dessa direita regional é impulsionada pela influência de Donald Trump nos Estados Unidos e pela ascensão de "outsiders" — figuras políticas não tradicionais que utilizam as redes sociais para romper com o sistema. Esse fenômeno é evidenciado pela dificuldade de governos incumbentes em se reelegerem na região, fruto de um descompasso entre as expectativas sociais e a capacidade de entrega dos Estados.
Para o Brasil, o resultado nessas eleições impacta a política externa e o isolamento ideológico do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Uma vitória da esquerda, especialmente na Colômbia, evitaria o agravamento do cenário atual para o Planalto. A perda de aliados ideológicos na região pode dificultar a resistência brasileira às políticas agressivas de Trump, que busca reduzir a influência chinesa na América do Sul através de governos aliados.
Internamente, o cenário brasileiro reflete essa polarização. O presidente Lula lidera intenções de voto, mas enfrenta alta rejeição — 53% em levantamento da Quaest de maio. Em projeções de segundo turno, Lula detém 46% das intenções, contra 41% do senador Flávio Bolsonaro, que atualmente lidera as pesquisas de primeiro turno. Flávio Bolsonaro mantém alinhamento com a direita latino-americana e com Trump, tendo inclusive visitado a Casa Branca em maio.
Além da ideologia, as eleições no Peru e na Colômbia são críticas para a gestão de problemas transnacionais. Ambos os países compartilham fronteiras amazônicas com o Brasil e enfrentam desafios comuns de narcotráfico e crime organizado, temas que exigem cooperação técnica e afinidade entre as gestões governamentais.