Pesquisa Quaest indica que 32% dos eleitores brasileiros se definem como independentes
Pesquisa Quaest indica que 32% dos eleitores brasileiros são independentes, enquanto Lula (39%) e Flávio Bolsonaro (33%) lideram o cenário de primeiro turno. Ronaldo Caiado e Romeu Zema registram 4% de intenções de voto cada, e Renan Santos aparece com 2%
A pesquisa Quaest, divulgada na última quarta-feira (13), indica que aproximadamente um terço dos eleitores brasileiros (32%) se define como independente, não se identificando com o lulismo, o bolsonarismo ou com as alas de esquerda e direita. Apesar desse volume de eleitores, os dados mostram uma predominância de Lula (PT), com 39%, e Flávio Bolsonaro (PL), com 33%, no cenário de primeiro turno, evidenciando a dificuldade de consolidação de nomes fora desse eixo.
Nesse contexto, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) registram 4% cada, enquanto Renan Santos (Missão) aparece com 2%. A disputa entre Caiado e Zema pelo espaço de oposição a Lula reflete abordagens distintas: Zema adota a postura de *outsider* com maior radicalidade contra o sistema, enquanto Caiado aposta em uma candidatura antissistema moderada, unindo currículo administrativo e diálogo com antipetistas e independentes. A divergência entre ambos ficou clara na reação ao episódio em que Flávio Bolsonaro solicitou recursos a Daniel Vorcaro, dono do Master, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro; Zema classificou a conduta como "imperdoável", enquanto Caiado, embora tenha cobrado explicações, priorizou a união da direita contra o atual presidente.
Historicamente, candidaturas que tentaram romper a polarização enfrentaram barreiras estruturais. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, desde 1989, as disputas presidenciais tendem a se concentrar em dois polos. Na primeira eleição direta pós-ditadura, apesar de 22 candidatos, a decisão final ficou entre Fernando Collor e Lula. Entre 1994 e 2010, consolidou-se a alternância entre PT e PSDB. Marina Silva, que obteve 21,3% dos votos em 2014, e Anthony Garotinho, com 17,8% em 2002, foram os melhores desempenhos de nomes fora do eixo principal. Em 2018, a vitória de Jair Bolsonaro encerrou o ciclo PT-PSDB, transferindo a oposição para o bolsonarismo.
A análise de especialistas aponta que a falta de coordenação entre lideranças políticas confunde o eleitor, que, embora demande alternativas, acaba encontrando candidatos que reproduzem padrões reacionários em questões econômicas, sociais e ambientais. Marina Silva, que integrou o governo Lula após a eleição de 2022 e agora disputa o Senado em São Paulo, argumenta que a polarização destrutiva interrompeu a tração de projetos baseados em modelos sustentáveis de desenvolvimento.
Além disso, a estrutura partidária e o sistema de financiamento público — via Fundo Partidário e Fundo Eleitoral — desestimulam a criação de candidaturas genuinamente independentes, já que os partidos preferem ampliar bancadas federais. João Amoêdo, fundador do partido Novo e candidato em 2018, afirma que o espaço para o centro encolheu devido a essa distorção democrática.
Atualmente, observa-se que parte do eleitorado independente manifesta apatia ou descrença no sistema político tradicional, buscando figuras que estejam fora tanto da polarização quanto da política convencional. Esse fenômeno foi exemplificado pelo crescimento de Pablo Marçal nas eleições municipais de 2024 em São Paulo. A persistência de campos ideológicos bem demarcados e o medo do desgaste com o "voto útil", especialmente diante da ascensão da extrema direita e de discursos contra as instituições, continuam a restringir a viabilidade de uma terceira via competitiva.