Pesquisa Quaest indica que escândalo do Banco Master prejudica a imagem de diversas instituições brasileiras
Pesquisa Quaest indica que 46% dos entrevistados veem o escândalo do Banco Master como prejudicial ao governo Lula, governo Bolsonaro, STF, Congresso e Banco Central. Paralelamente, a Polícia Federal investiga o senador Ciro Nogueira por suspeita de receber vantagens financeiras para favorecer a instituição. O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre 8 e 11 de maio
O escândalo envolvendo o Banco Master é percebido por 46% dos entrevistados de uma pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (13), como um fator que prejudica a imagem de forma equivalente do governo Lula, do governo Bolsonaro, do Supremo Tribunal Federal (STF), do Congresso Nacional e do Banco Central. O índice representa um crescimento em relação aos 40% registrados em março.
Para os respondentes que identificam o desgaste em apenas uma instituição, o governo Lula lidera com 11%, seguido pelo STF/Judiciário com 10% e pelo governo anterior de Bolsonaro com 9%, números que se encontram em empate técnico. O Banco Central aparece com 7%, enquanto o Congresso Nacional registra 2%. Apenas 1% dos entrevistados acredita que nenhuma dessas instâncias foi afetada, e 14% não souberam responder.
O cenário de percepção pública ocorre paralelamente às investigações da Polícia Federal sobre o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O parlamentar, que preside o PP e foi ministro da Casa Civil na gestão Bolsonaro, é suspeito de ter sido um dos principais beneficiários de um esquema de corrupção liderado por Daniel Vorcaro, proprietário do Master. A PF aponta que Nogueira teria recebido contas pagas e uma mesada de até R$ 500 mil para atuar em defesa dos interesses da instituição financeira.
Entre as ações citadas pela investigação está a apresentação de uma proposta, em agosto de 2024, para elevar o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante, medida que favoreceria o modelo de negócios do banco. Ciro Nogueira nega qualquer envolvimento em atividades criminosas e refuta a tese de que a proposta parlamentar tenha sido redigida por funcionários do Banco Master.
Sobre o conhecimento do caso, a pesquisa indica que 46% dos participantes já estavam cientes das suspeitas contra o senador, enquanto 54% tomaram conhecimento recentemente. De acordo com a diretoria da Quaest, os dados sugerem que o episódio é interpretado como um problema sistêmico, superando o impacto isolado sobre o governo ou a oposição.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre os dias 8 e 11 de maio, com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.