Planalto rebate pedido de Flávio Bolsonaro para classificar grupos narcotraficantes como terroristas nos Estados Unidos
O Palácio do Planalto rejeitou a classificação de grupos narcotraficantes como terroristas após pedido do senador Flávio Bolsonaro ao presidente Donald Trump. O governo defende que o combate ao crime organizado é competência das instituições brasileiras e diferencia a busca por lucro do terrorismo ideológico

O Palácio do Planalto rebateu a tentativa de classificar grupos narcotraficantes no Brasil como terroristas, defendendo que a definição e o combate ao crime em território nacional competem exclusivamente às instituições, leis e forças de segurança brasileiras. A posição foi manifestada em nota nesta sexta-feira (29), após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o presidente Donald Trump para solicitar tal medida.
Para o governo, a atuação de organizações criminosas em comunidades visa ao lucro via tráfico de armas e drogas, o que difere do terrorismo internacional, movido por motivações religiosas, políticas ou ideológicas. Embora reconheça que facções como o Comando Vermelho (CV), o Primeiro Comando da Capital (PCC) e milícias pratiquem terror nos territórios onde operam, o governo argumenta que a confusão entre esses conceitos é uma manipulação política conduzida por "traidores" e "falsos patriotas" envolvidos com o crime organizado.
O Planalto criticou a postura da família Bolsonaro, afirmando que o grupo busca provocar a administração de Donald Trump para obter uma intervenção estrangeira no Brasil, citando como precedente a questão do "tarifaço".
A gestão federal alertou que medidas unilaterais e não negociadas pelos Estados Unidos podem comprometer a economia, o sistema financeiro e a capacidade de compartilhamento de informações entre polícias, colocando em risco a vida de cidadãos. O governo destacou que inovações nacionais, como o Pix, podem ser afetadas por interesses estrangeiros, mencionando que os EUA investigam o sistema brasileiro por suposta concorrência desleal contra empresas financeiras estadunidenses.
Como contrapartida às pressões externas, o governo ressaltou a implementação do programa "Brasil contra o Crime Organizado", que atua desde a base armada até a cúpula das facções. Além disso, mencionou a recente aprovação de uma lei de combate a milícias e facções que prevê penas de até 80 anos de prisão, a maior punição existente na legislação brasileira.