Política é o principal foco de notícias falsas no Brasil, aponta levantamento do Aláfia Lab
Pesquisa do Aláfia Lab com 1.512 brasileiros indica que a política é o tema central de notícias falsas, citada por 43% dos participantes. O estudo aponta que 58% dos entrevistados sentem insegurança ao identificar desinformação e 47% ignoram conteúdos suspeitos
A circulação de notícias falsas no Brasil tem como foco principal a política e os processos eleitorais, tema identificado por 43% dos entrevistados em levantamento do Aláfia Lab. O estudo, realizado com 1.512 pessoas em todo o país, coloca a saúde, a economia e as celebridades como os assuntos seguintes em volume de desinformação. Para a coordenadora de pesquisa Vivian Peron, a desinformação passou a atuar como um instrumento político que define a dinâmica das eleições.
O levantamento, que apresenta margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, baseou-se em respostas de autodeclaração. Os dados revelam que a percepção de notícias falsas sobre política cresce conforme a idade e o nível de instrução. Entre indivíduos com 45 anos ou mais, 47% relatam encontrar esse tipo de conteúdo, enquanto entre jovens de 18 a 29 anos o índice é de 35%. No recorte educacional, 50% dos entrevistados com ensino superior afirmam deparar-se com fake news políticas, contra 34% daqueles com ensino fundamental.
A capacidade de identificar desinformação é percebida com insegurança por grande parte da população: 58% dos brasileiros afirmam reconhecer notícias falsas, mas com dúvidas em certas ocasiões. Outros 29% dizem fazê-lo com facilidade e 13% admitem não saber identificá-las. O grupo que reporta maior facilidade na detecção inclui homens, jovens, pessoas com maior escolaridade e eleitores de esquerda. Neste último grupo, 39% afirmam identificar fake news com facilidade, enquanto entre eleitores de direita o índice é de 30%.
A reação diante de conteúdos suspeitos é marcada pela passividade, já que 47% dos brasileiros ignoram a informação. Outros 32% buscam verificar a veracidade do conteúdo e apenas 10% realizam denúncias às plataformas. No que tange ao uso de agências de checagem, 24% dos eleitores de esquerda utilizam esses serviços, comparado a 13% dos eleitores de direita.
Apesar do uso menor de checagem, eleitores de direita relatam maior exposição a fake news políticas, com 55% contra 48% dos eleitores de esquerda. A divergência também aparece na avaliação dos danos causados: 69% dos eleitores de esquerda consideram que a desinformação prejudica gravemente as instituições, enquanto 46% dos eleitores de direita compartilham dessa visão.
Sobre a adoção de inteligência artificial, o ChatGPT é a ferramenta mais popular, utilizada por 42% dos brasileiros, seguido pelo Gemini, com 25%. O uso do ChatGPT é mais expressivo entre eleitores de direita (53%) do que entre os de esquerda (39%). Contudo, a frequência diária de uso de ferramentas de IA é maior entre pessoas de esquerda, com 39%, contra 26% no grupo de direita. As finalidades também divergem: eleitores de direita utilizam a tecnologia prioritariamente para aprendizado e criação de vídeos e imagens, ao passo que eleitores de esquerda a empregam mais para a checagem de notícias falsas.