Pré-campanhas presidenciais divergem sobre o uso de inteligência artificial em suas estratégias de comunicação
Pré-campanhas presidenciais divergem sobre o uso de inteligência artificial, variando entre a aplicação em conteúdos digitais e a restrição a funções de apoio ou projetos. O TSE determinou a obrigatoriedade de avisos em propagandas com a tecnologia e proibiu conteúdos simulados de candidatos entre 72 horas antes e 24 horas após a votação
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As pré-campanhas presidenciais apresentam divergências quanto à implementação de inteligência artificial (IA) em suas estratégias de comunicação, oscilando entre a aposta na tecnologia para redução de custos e a preferência por interações presenciais para evitar a percepção de artificialidade.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) restringirá o uso da ferramenta a funções de apoio, descartando a criação de versões fictícias ou a substituição de sua imagem em gravações. Em evento realizado na Bahia em maio, o presidente justificou a decisão ao defender que a atividade política exige o contato visual direto com o eleitor para a validação da verdade. Em paralelo, o PT manifestou-se nas redes sociais alertando que o risco da tecnologia reside na manipulação de fatos e em ataques pessoais, criticando a utilização de imagens simuladas por adversários.
Em contraste, Flávio Bolsonaro (PL) já integra a IA em seus conteúdos digitais, incluindo um vídeo em que aparece como piloto de caça combatendo facções criminosas. De acordo com aliados, a estratégia seguirá os limites legais, sob a justificativa de que tais materiais geram engajamento, embora o pré-candidato mantenha a publicação de registros reais de suas agendas. Romeu Zema (Novo) também deve investir na ferramenta, citando a viabilidade econômica e a simplicidade de acesso, a exemplo de animações já produzidas por ele para criticar privilégios de autoridades.
No campo oposto, as pré-campanhas de Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) priorizam a imagem real dos candidatos. A estratégia de Caiado prevê a limitação da IA apenas para a apresentação de projetos. No caso de Santos, a coordenação de campanha, liderada pela vereadora Amanda Vettorazzo, pretende utilizar a tecnologia minimamente, restringindo-a a ilustrações de propostas, como projetos de reurbanização de comunidades.
Para regulamentar a prática, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu novas normas para as eleições deste ano. A legislação exige que qualquer propaganda eleitoral criada ou alterada por IA contenha um aviso claro e visível para evitar que o eleitor seja induzido ao erro por montagens. Além disso, a Corte proibiu a publicação de conteúdos gerados por IA que utilizem a voz ou imagem de figuras públicas e candidatos no período compreendido entre 72 horas antes do pleito e 24 horas após a votação, determinando a remoção imediata de materiais que descumpram a regra.