Política

Pré-candidatos à Presidência intensificam articulações com o eleitorado feminino para as eleições de 2026

03 de Julho de 2026 às 06:10

Pré-candidatos à Presidência de 2026 intensificaram a articulação com as 82 milhões de eleitoras brasileiras. As estratégias incluem propostas de endurecimento de penas para crimes contra mulheres, incentivos ao empreendedorismo e auxílios financeiros. As ações variam entre a defesa de cotas, a implementação de monitoramento de agressores e a promoção de igualdade salarial

Pré-candidatos à Presidência intensificam articulações com o eleitorado feminino para as eleições de 2026
Divulgação e reprodução

Pré-candidatos à Presidência da República para 2026 intensificaram a articulação junto ao eleitorado feminino, grupo que representa a maioria dos votantes no Brasil. De acordo com o Painel de Estatísticas Eleitorais do TSE de março de 2026, as mulheres somam 82 milhões de eleitoras, correspondendo a 52,85% do total, enquanto os homens totalizam 73,8 milhões.

No PL, a movimentação ocorre após conflitos internos. Michelle Bolsonaro divulgou vídeo relatando ter sido maltratada e desrespeitada por Flávio Bolsonaro em discussões políticas. O senador se desculpou, negando qualquer histórico de humilhação contra mulheres. Posteriormente, Flávio repudiou declarações do youtuber Paulo Figueiredo, que afirmou que mulheres votam mal e atacou a ex-primeira-dama.

Flávio Bolsonaro passou a tratar a pauta feminina sob a perspectiva econômica, afastando-a de questões ideológicas. Entre 2025 e 2026, apoiou uma PEC contra a violência doméstica e propôs a criação de unidades de pronto atendimento à mulher no SUS, além de permitir que policiais concedam medidas protetivas imediatas. Suas propostas de pré-campanha incluem castração química para estupradores, penas rigorosas para agressores, microcrédito, fomento ao empreendedorismo feminino e políticas para mães solo e creches.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quinta-feira (2), o endurecimento das penas para feminicídio e a implementação do Pacto contra o Feminicídio, prevendo o uso de tornozeleiras eletrônicas para agressores. Lula destacou a atuação da primeira-dama, Janja, na condução do tema. Em seu terceiro mandato, sancionou a lei de igualdade salarial e iniciou a gestão com 11 ministras, número que caiu para oito após trocas em abril de 2026. O presidente tem sido questionado por juristas e entidades de mulheres negras pela ausência de indicações femininas ao Supremo Tribunal Federal, onde nomeou Cristiano Zanin, Flávio Dino e Jorge Messias (este último rejeitado pelo Senado). Para 2027, Lula planeja ampliar o apoio a candidaturas de mulheres jovens e negras.

Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais, associou a participação feminina na política ao combate à corrupção, atribuindo às mulheres uma visão de futuro superior à dos homens por questões biológicas ligadas à maternidade. Zema manifestou interesse em ter uma mulher como vice e propôs penas mais severas para agressores. No Bolsa Família, sugere manter benefícios para mulheres com filhos, mas exige qualificação ou trabalho para homens jovens. O ex-governador posicionou-se contra o PL da Misoginia, que visa incluir a discriminação contra a mulher na Lei Antirracismo. Em Minas, implementou o programa MG Mulher, com suporte a vítimas e monitoramento de agressores, além de manter 70 Delegacias de Atendimento à Mulher.

Renan Santos, pré-candidato do Missão, utilizou a jornalista Malu Gaspar como exemplo de inspiração após tentativas de silenciamento da profissional por terceiros. Renan já enfrentou críticas por falas sexistas em 2018 e 2022, além de ter sido alvo de um boletim de ocorrência por estupro e violência doméstica em 2021. A defesa afirma que ele foi absolvido após a denunciante admitir falsa acusação, embora a Justiça de São Paulo tenha negado a remoção de postagens sobre o caso. Suas propostas atuais focam no aumento de penas para crimes violentos contra mulheres, punição para pais inadimplentes com a pensão e manutenção do Bolsa Família para mães solo vulneráveis.

Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, concentra seu discurso na área de segurança. O pré-candidato manifestou-se contra cotas obrigatórias para mulheres na política, defendendo a representatividade baseada na competência. Em 2024, sancionou em Goiás a Campanha de Conscientização contra o Aborto, que oferece ultrassom com batimentos fetais a mulheres que buscam o aborto legal — medida questionada pelo PSOL no STF. Para o plano nacional, Caiado propõe a implementação de auxílio financeiro a vítimas de violência doméstica e a saída de agressores da delegacia já monitorados por tornozeleira.

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