Política

PT e PL disputam influência política no Rio de Janeiro para as próximas eleições presidenciais

24 de Junho de 2026 às 18:03

PT e PL disputam influência política no Rio de Janeiro para as eleições presidenciais. O PL foca no interior do estado com a candidatura de Douglas Ruas ao governo, enquanto Romeu Zema e Ronaldo Caiado também realizam ações políticas na região

O Rio de Janeiro tornou-se um ponto central nas estratégias de pré-campanha para as próximas eleições presidenciais, com PT e PL disputando a influência política no estado. O PT fundamenta seu otimismo na percepção de que a exposição de Flávio Bolsonaro (PL) como ex-deputado estadual pode gerar maior rejeição entre os fluminenses do que a imagem de seu pai, Jair Bolsonaro, que teve atuação limitada ao mandato de deputado federal na região.

A dinâmica do Executivo estadual também favorece a leitura petista. Desde a renúncia de Cláudio Castro em março, o estado vive um vácuo de poder, com o comando assumido pelo desembargador do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), Ricardo Couto. A ausência de um vice-governador e as investigações contra Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, impediram que Douglas Ruas (PL) — candidato de Flávio Bolsonaro ao governo estadual — assumisse a gestão interina, plano que foi frustrado por um impasse no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre novas eleições suplementares. Para o PT, a falta de controle da máquina estadual pelo PL beneficia tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já participou de eventos com Ricardo Couto, quanto Eduardo Paes (PSD).

Por outro lado, o PL reconhece a importância do Rio como berço do bolsonarismo e admite que a ausência de Ruas no governo interino impõe dificuldades. A estratégia da legenda agora foca no interior do estado, região considerada mais conservadora. O partido projeta que Douglas Ruas possa repetir o desempenho de Alexandre Ramagem nas eleições municipais, que alcançou cerca de 30% dos votos mesmo sem amplo conhecimento do eleitorado. Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da legenda na Câmara, afirmou que a campanha deve associar Eduardo Paes à imagem de Lula, aproveitando a alta rejeição do presidente no estado. O PL acredita, ainda, que Ruas não possui vínculos fortes com Cláudio Castro ou com as investigações do Banco Master, o que preservaria a campanha de Flávio Bolsonaro.

Paralelamente, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) também utilizam o estado como palanque. Zema tem intensificado sua presença política no Rio com reuniões e a produção de materiais de pré-campanha que defendem a privatização da Petrobras. Já Caiado aposta no apoio a Eduardo Paes, seu correligionário no PSD, para a disputa ao governo estadual. A estratégia de Caiado prevê a articulação com prefeitos e deputados fluminenses, com foco central na pauta da segurança pública. Integrantes do partido avaliam que Paes deve moderar a defesa de Lula durante a campanha para conseguir atrair eleitores de direita.

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