Revelações sobre relação entre Flávio Bolsonaro e banqueiro podem comprometer candidatura do senador à Presidência
A revista The Economist relatou que a relação entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, envolvendo R$ 134 milhões para um filme, pode prejudicar a candidatura do parlamentar. Vorcaro, atualmente preso, teria pago R$ 61 milhões, valor negado pela produtora Go Up Entertainment e pelo deputado Mario Frias. O caso resultou em queda nos índices da bolsa de valores e aumento de menções negativas ao senador nas redes sociais
A publicação da revista The Economist nesta quinta-feira (14/5) aponta que as revelações sobre a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro podem comprometer a candidatura do parlamentar à Presidência da República. O imbróglio envolve a solicitação de R$ 134 milhões para a produção de um filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulado "Dark Horse". De acordo com informações do site The Intercept Brasil, Vorcaro teria efetuado pagamentos na ordem de R$ 61 milhões.
Apesar dos valores citados, a produtora Go Up Entertainment e o deputado Mario Frias (PL-SP), roteirista da obra, negaram ter recebido a verba do banqueiro. A Go Up justificou a impossibilidade de detalhar a origem de seu orçamento alegando a existência de contratos de confidencialidade. Vorcaro encontra-se preso, e sua defesa não prestou esclarecimentos sobre as doações. Em entrevista à GloboNews, ocorrida no dia seguinte à divulgação do The Intercept, o senador Flávio Bolsonaro negou que o valor solicitado tenha sido de R$ 134 milhões, enquanto Mario Frias também voltou a se manifestar sobre o pedido.
O episódio gerou repercussão entre aliados do senador, que passaram a considerar alternativas de candidatos para o pleito de outubro, além de expectativas de que as investigações revelem ligações de outros adversários do Partido dos Trabalhadores (PT) com o banqueiro. No âmbito institucional, parlamentares de base e oposição buscam controle da narrativa por meio de ações judiciais após o vazamento de um áudio de Flávio para Vorcaro. Esse mesmo vazamento levou o ministro André Mendonça a agendar uma reunião de alinhamento com a Polícia Federal. Paralelamente, a PF indicou que Vorcaro pagou "bônus de final de ano" a integrantes de um grupo denominado "Turma", utilizado para intimidar desafetos.
No cenário econômico, a The Economist registrou quedas de 2% no índice real e no principal índice da bolsa de valores, movimento acompanhado pelo crescimento da perspectiva de vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A revista destacou a movimentação de Lula, que se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada. Durante o encontro, Lula descreveu a relação com Trump como "amor à primeira vista" e elogiou a "química" entre ambos. A proximidade foi reforçada por um telefonema prévio, no qual Trump teria dito "eu te amo" ao petista, fato que gera desconforto na família Bolsonaro, que reivindica amizade com o republicano.
Embora não tenham sido divulgadas pesquisas de intenção de voto após os fatos, o desgaste de Flávio Bolsonaro é evidente no ambiente digital. Monitoramento da empresa AP Exata Inteligência, que utiliza inteligência artificial para analisar sentimentos no X e Instagram, registrou aumento de menções negativas e queda nos índices de confiança digital do senador. Este é o pior desempenho de Flávio desde o início de sua pré-campanha e o índice mais negativo entre todos os presidenciáveis monitorados pela empresa.