Política

Vídeo de Michelle Bolsonaro expõe tensão familiar e disputa pelo comando do bolsonarismo

27 de Junho de 2026 às 06:05

Michelle Bolsonaro publicou vídeo relatando maus-tratos de Flávio Bolsonaro, que pediu desculpas pelo ocorrido. O conflito ocorre enquanto a ex-primeira-dama lidera o PL Mulher para viabilizar candidatura ao Senado pelo Distrito Federal

Vídeo de Michelle Bolsonaro expõe tensão familiar e disputa pelo comando do bolsonarismo
Adriano Machado/Reuters, Evaristo Sá/AFP, Mateus Bonomi/Reuters e Reprodução

A publicação de um vídeo nas redes sociais por Michelle Bolsonaro, no qual afirma ter sido humilhada e maltratada por Flávio Bolsonaro, expôs a tensão interna entre a ex-primeira-dama e os filhos de Jair Bolsonaro. O episódio, que levou Flávio a pedir desculpas e justificar que a gravação ocorreu após a falta de resposta a uma mensagem, evidencia uma disputa pelo comando do bolsonarismo.

A crise reflete a ascensão de Michelle como liderança política, posição que não estava prevista no planejamento original da família. Atualmente, ela dirige o PL Mulher, dispondo de verba partidária para realizar atos de filiação e viagens pelo país. O objetivo é a construção de uma bancada própria, composta por mulheres e evangélicas, além de viabilizar sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal.

Esse cenário de conflito familiar possui precedentes na trajetória de Jair Bolsonaro, que historicamente priorizou a sucessão dos filhos em detrimento de suas companheiras. Em 2000, enquanto era deputado federal pelo Rio de Janeiro e passava por um processo de separação, Bolsonaro lançou o filho Carlos, então com 17 anos, como candidato contra a própria mãe, Rogéria Bolsonaro, que era vereadora e buscava a reeleição. Carlos venceu a disputa, e Rogéria não retornou ao cargo.

A estratégia de sucessão familiar foi reafirmada em momentos simbólicos, como na posse presidencial de 2019, quando Carlos Bolsonaro acompanhou o casal no desfile em carro aberto. A dinâmica estabelecida coloca Flávio, Carlos e Eduardo como herdeiros políticos diretos, o que agora colide com a atuação institucional de Michelle no partido.

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