Vitórias da direita no Peru e na Colômbia consolidam tendência política na América Latina
Keiko Fujimori e Abelardo de la Espriella venceram as eleições presidenciais no Peru e na Colômbia, respectivamente. O resultado consolida a tendência de governos de direita na América Latina, com foco em pautas de segurança pública e combate ao narcotráfico
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A América Latina consolida uma tendência de governos de direita, impulsionada por vitórias recentes no Peru e na Colômbia. No Peru, Keiko Fujimori venceu a disputa presidencial após três semanas de apuração, superando o candidato da esquerda, Roberto Sánchez, por 49.641 votos. Na Colômbia, o empresário Abelardo de la Espriella também conquistou a presidência em um segundo turno disputado.
Embora ambos pertençam ao espectro da direita, os perfis são distintos. Fujimori representa uma linhagem política tradicional, sendo filha do ex-presidente Alberto Fujimori e tendo disputado outras três eleições anteriormente. Já De la Espriella é classificado como um *outsider*, sem histórico em cargos eletivos. Apesar das diferenças, ambos basearam suas campanhas em discursos rigorosos de combate à violência urbana e ao narcotráfico.
Esse movimento de guinada à direita na região, iniciado nos anos 2000 e intensificado na última década, é atribuído à descrença na política tradicional, ao impacto das redes sociais e à demanda por soluções imediatas para problemas complexos. A segurança pública tornou-se a pauta central em diversas campanhas, refletindo a gravidade do narcotráfico em países como Peru, Bolívia e Colômbia.
O cenário regional apresenta outros alinhamentos: na Argentina, Javier Milei governa com pautas de direita e alinhamento a Donald Trump, focando na crise econômica. Na Bolívia, Rodrigo Paz Pereira encerrou a hegemonia socialista de Evo Morales. No Chile, José Antonio Kast venceu com base na pauta de segurança e na resistência aos fluxos migratórios venezuelanos. Já no Panamá, José Raúl Mulino também é de direita, embora enfrente pressões dos Estados Unidos sobre o controle do Canal do Panamá.
Em contrapartida, o México mantém Claudia Sheinbaum no poder, que busca autonomia e soberania, apesar da forte interdependência econômica e comercial com os Estados Unidos via T-MEC. No Uruguai, Yamandú Orsi lidera um governo de esquerda caracterizado pela estabilidade institucional e manutenção de políticas públicas, independentemente da alternância ideológica.
A influência dos Estados Unidos é apontada como um fator determinante nas decisões da região. A pressão americana manifesta-se não apenas por alinhamentos ideológicos, mas por interesses estratégicos e econômicos, como a tentativa de retomar influência sobre o Canal do Panamá e a disputa global com a China.
Essa dinâmica de tensão deve impactar as eleições no Brasil. A influência dos Estados Unidos pode ocorrer por meio de pressões sobre a regulamentação de Big Techs, críticas ao sistema Pix, imposição de tarifas e a classificação de facções criminosas como terroristas.
Diante desse cenário, a política externa brasileira tem adotado o pragmatismo para evitar o isolamento. A estratégia consiste em manter diálogos funcionais com lideranças ideologicamente opostas, como ocorreu com Javier Milei no G20, priorizando a integração infraestrutural e interesses econômicos efetivos acima de divergências partidárias.