Zema condena conduta de Flávio Bolsonaro após revelações sobre repasses para filme de Jair Bolsonaro
Romeu Zema condenou a cobrança de valores feita pelo senador Flávio Bolsonaro ao proprietário do Banco Master para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro. Documentos indicam repasses de 10,6 milhões de dólares para a produção, enquanto o senador nega irregularidades e sugere a criação de uma CPI
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Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, condenou publicamente a conduta do senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) após a divulgação de informações sobre repasses financeiros destinados ao filme biográfico "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. Em vídeo publicado no Instagram nesta quarta-feira (13), Zema classificou como imperdoável a cobrança de valores feita pelo senador ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, argumentando que tal atitude compromete a retórica da direita contra a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva e fere a credibilidade necessária para transformar o país.
A repercussão ocorre após a publicação de documentos e mensagens pelo Intercept Brasil, que indicam o pagamento de aproximadamente 10,6 milhões de dólares (cerca de R$ 61 milhões) entre fevereiro e maio de 2025 para o financiamento da produção cinematográfica. O episódio gera desgaste em uma relação que, até então, era de proximidade política; em abril, Zema chegou a sugerir, em tom descontraído nas redes sociais, que Flávio Bolsonaro poderia ser seu vice em uma chapa presidencial para 2026.
Em resposta, Flávio Bolsonaro negou qualquer irregularidade e defendeu a criação de uma CPI para investigar o Banco Master. O senador afirmou que o contato com Daniel Vorcaro, iniciado em dezembro de 2024, teve como objetivo buscar patrocínio privado para a obra, sem a utilização de verbas públicas ou da Lei Rouanet. Em nota, o parlamentar assegurou que não recebeu vantagens, não intermedeou negócios governamentais nem promoveu encontros privados, diferenciando sua conduta das relações estabelecidas entre o governo atual e o banqueiro.
O cenário de tensão entre grupos de direita é acentuado por outras manifestações. Renan Santos, pré-candidato ao Planalto pelo Partido Missão, afirmou que as denúncias contra o senador eram previsíveis diante do histórico de investigações que o envolvem. O dirigente do MBL defendeu a necessidade de a política brasileira romper com estruturas de corrupção que abrangem esquerda, direita e centro, mencionando que, embora restem nomes como o de Zema, o ex-governador mineiro ainda precisaria esclarecer supostos vínculos indiretos com a família Vorcaro.
Enquanto aliados do bolsonarismo mobilizaram defesas ao senador nas redes sociais e integrantes da esquerda cobraram explicações sobre os repasses, o presidente Lula e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado — também pré-candidato à Presidência —, não se manifestaram sobre o caso.