Saúde

Anvisa mantém suspensão de produtos da marca Ypê após identificar falhas sanitárias graves em fábrica

15 de Maio de 2026 às 15:04

A Anvisa manteve a suspensão da fabricação, distribuição, comercialização e uso de desinfetantes, lava-roupas líquidos e detergentes da marca Ypê com lotes terminados em 1. A medida decorre de falhas sanitárias graves na unidade da Química Amparo, em São Paulo, incluindo a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em lotes de 2025

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu, nesta quinta-feira (15/5), manter a suspensão da fabricação, distribuição, comercialização e uso de produtos da marca Ypê. A medida ocorre após a identificação de falhas sanitárias classificadas como graves e sistêmicas na unidade fabril da Química Amparo, localizada no interior de São Paulo. O recolhimento dos itens afetados permanece temporariamente suspenso, aguardando a aprovação de um plano de rastreabilidade e mitigação de riscos estruturado pela empresa.

A restrição atinge lotes de desinfetantes, lava-roupas líquidos e detergentes lava-louças cuja numeração termina em 1. De acordo com a diretoria colegiada da agência, a decisão baseou-se em um cenário de riscos sanitários altos, decorrentes do comprometimento dos processos produtivos e da falha de múltiplas barreiras de controle essenciais para a segurança de saneantes.

Entre as irregularidades detalhadas pela Anvisa, destacam-se a deficiência na garantia da qualidade, a ausência de validação de métodos analíticos e processos, além de monitoramento microbiológico inadequado. A agência também apontou fragilidades na segregação de produtos não conformes e na rastreabilidade, somadas à ineficácia de ações corretivas. A própria empresa admitiu a existência de mais de 100 lotes com resultados microbiológicos insatisfatórios. Atualmente, a fábrica trabalha na implementação de 239 ações corretivas derivadas de inspeções realizadas entre 2024 e 2025.

A fiscalização que constatou as falhas ocorreu entre 27 e 30 de abril de 2026, em uma operação conjunta entre a Anvisa, a Vigilância Sanitária municipal de Amparo e o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo. Embora a agência tenha confirmado o recebimento de denúncias da Unilever contra a Química Amparo via sistema Fala BR em outubro de 2025 e março de 2026, a fiscalização já estava programada previamente.

Sobre a contaminação, a Anvisa confirmou a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em diversos lotes em 2025. O microrganismo é conhecido pela resistência antimicrobiana e pode causar conjuntivites, dermatites, irritações cutâneas e infecções graves em pacientes imunossuprimidos. A agência reiterou que a atuação preventiva é necessária diante de riscos plausíveis à saúde pública, independentemente da confirmação de danos imediatos ou da identificação de bactérias específicas no ano de 2026.

A Ypê declarou que seus produtos são seguros e que mantém a colaboração com as autoridades. A companhia informou que paralisou parte da produção de líquidos para acelerar as correções exigidas, independentemente de recursos administrativos.

A decisão da agência ocorreu em meio a questionamentos públicos e repercussões políticas nas redes sociais. Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro alegaram perseguição governamental, citando doações de R$ 1 milhão feitas pela família Beira, controladora da empresa, à campanha de reeleição de Bolsonaro em 2022, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em resposta, a diretoria da Anvisa afirmou que a decisão foi pautada exclusivamente por critérios técnicos e científicos, visando a proteção da sociedade e a elevação dos padrões de qualidade e segurança da indústria nacional, sem qualquer influência de motivações políticas.

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