Anvisa mantém suspensão de produtos da Ypê após detecção de bactéria em mais de 100 lotes
A Anvisa manteve a suspensão da fabricação, distribuição, comercialização e uso de desinfetantes, sabões líquidos e detergentes da marca Ypê com numeração final 1. A medida ocorre após a detecção da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes e a identificação de falhas nas Boas Práticas de Fabricação
A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu, por unanimidade nesta sexta-feira (15), manter a suspensão da fabricação, distribuição, comercialização e uso de linhas de desinfetantes, sabões líquidos e detergentes da marca Ypê. A medida atinge todos os lotes desses produtos que possuam a numeração final 1.
A decisão fundamenta-se em uma avaliação técnica de risco sanitário realizada pela Anvisa em conjunto com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e a Vigilância Sanitária de Amparo, onde a empresa possui unidade fabril. Durante as inspeções, foram identificados descumprimentos relevantes nas Boas Práticas de Fabricação (BPF) — normas obrigatórias que asseguram a qualidade e eficácia de saneantes. O relatório técnico apontou falhas nos sistemas de controle e garantia de qualidade, além de problemas estruturais, como corrosão em equipamentos de fabricação de lava-roupas e detergentes, conservação inadequada de tanques de manipulação e a presença de resíduos de produtos devolvidos às linhas de envase.
A agência confirmou a detecção da bactéria *Pseudomonas aeruginosa* em mais de 100 lotes de produtos acabados. De acordo com a diretoria do órgão, a empresa apresentou um histórico recorrente de contaminação microbiológica e as medidas adotadas para corrigir as falhas foram consideradas insuficientes. A Anvisa classificou o risco sanitário como alto, ressaltando que a proteção da saúde pública deve prevalecer sobre a relevância econômica da fabricante.
Apesar de manter a proibição de uso e venda, a Anvisa suspendeu a obrigatoriedade do recolhimento imediato dos lotes. Agora, a Ypê deverá apresentar um plano de ação baseado em análise de risco para que o recolhimento ocorra sob acompanhamento técnico, permitindo a liberação gradual de lotes específicos.
A *Pseudomonas aeruginosa* é um microrganismo oportunista comum em ambientes úmidos, como solo e água. Embora o risco seja considerado baixo para a maioria da população saudável, a bactéria pode causar infecções graves em pessoas imunossuprimidas, como pacientes em tratamento oncológico, transplantados, portadores de HIV/Aids sem controle, idosos fragilizados, bebês e pessoas com lesões cutâneas ou queimaduras.
Para quem utilizou os produtos afetados e não apresenta sintomas, a recomendação é interromper o uso e observar a pele. A procura por atendimento médico é indicada apenas em casos de irritação persistente, vermelhidão, secreções, dor, febre ou mal-estar. Em situações de contato com mucosas ou olhos, orienta-se a lavagem imediata com água abundante.
Quanto aos utensílios domésticos, a orientação é descartar a esponja de cozinha que tenha sido utilizada com os produtos dos lotes suspensos, pois a bactéria pode persistir no material. No caso de roupas íntimas, toalhas e peças de bebês ou pessoas vulneráveis, recomenda-se lavá-las novamente com outro produto, devido ao contato prolongado com a pele.
A Ypê, por sua vez, manifestou discordância quanto à decisão, classificando-a como desproporcional. A empresa argumentou que as imagens de inspeções divulgadas recentemente mostram áreas que não possuem contato com os produtos comercializados e afirmou que a fiscalização não encontrou contaminação em seus itens. A fabricante também sustentou que a diluição do produto em máquinas de lavar reduz a carga bacteriana e que não há registros médicos de infecções causadas por roupas lavadas com detergentes domésticos.