Saúde

Atendimentos para tratamento de glaucoma no Brasil praticamente dobram entre 2015 e 2025

20 de Junho de 2026 às 06:07

Atendimentos ambulatoriais para tratamento de glaucoma no Brasil cresceram 99,5% entre 2015 e 2025, segundo o Ministério da Saúde. No mesmo período, as internações por glaucoma de ângulo aberto aumentaram 238,3%

Atendimentos para tratamento de glaucoma no Brasil praticamente dobram entre 2015 e 2025
Adobe Stock

O número de atendimentos ambulatoriais para o tratamento de glaucoma no Brasil praticamente dobrou entre 2015 e 2025, registrando um crescimento de 99,5%, conforme dados do Ministério da Saúde. No mesmo intervalo, as internações por glaucoma de ângulo aberto, a modalidade mais comum da doença, tiveram um salto de 238,3%.

A enfermidade é uma neuropatia óptica crônica e progressiva que ataca o nervo óptico. Embora seja frequentemente associada apenas à pressão ocular, o aumento da pressão intraocular é, na verdade, o principal fator de risco que leva à destruição gradual das fibras do nervo. Esse processo resulta em uma perda visual progressiva, que geralmente se inicia pela visão periférica e é irreversível, impossibilitando a recuperação do que foi perdido.

O glaucoma divide-se em dois grupos principais. O de ângulo aberto evolui de forma lenta e silenciosa, pois a drenagem do líquido interno do olho torna-se ineficiente, elevando a pressão sem causar sintomas iniciais. Já o de ângulo fechado pode ocorrer de maneira aguda, com bloqueio repentino da drenagem e aumento rápido da pressão, provocando dor ocular, visão embaçada, halos ao redor de luzes, vermelhidão, náuseas e queda súbita da visão. Além dessas formas primárias, a doença pode ser secundária a diabetes, inflamações crônicas, doenças sistêmicas ou múltiplas cirurgias oculares.

Em termos numéricos, os atendimentos para glaucoma primário de ângulo aberto subiram de 2.118.490 em 2015 para 4.226.682 em 2025. No caso do glaucoma primário de ângulo fechado, os registros passaram de 52.731 para 112.643, alta de 113,6%. O Ministério da Saúde ressalta que esses dados referem-se ao total de atendimentos e não ao número de indivíduos, visto que um paciente pode realizar múltiplas consultas. Esse cenário reflete a ampliação do acesso aos serviços de saúde, o envelhecimento da população e a eficácia de campanhas de conscientização.

Devido à ausência de sintomas nas fases iniciais, o exame oftalmológico de rotina é a ferramenta essencial para o diagnóstico. A avaliação inclui a medição da pressão intraocular e a análise do fundo de olho para verificar o nervo óptico. Se houver suspeita, são solicitados exames de campo visual, avaliação da córnea e tomografia de coerência óptica, todos disponíveis no sistema de saúde. A recomendação é que as consultas sejam periódicas, especialmente após os 40 anos, ou antecipadas para quem possui hipertensão, diabetes, histórico familiar da doença, trauma ocular ou faz uso prolongado de corticoides.

Embora não haja cura, o controle da pressão intraocular via colírios, laser ou cirurgias pode retardar ou impedir a progressão do dano ao nervo, preservando a visão. A detecção precoce é fundamental, pois a perda do campo visual impacta a autonomia do paciente, dificultando a leitura, a condução de veículos, o uso de escadas e a realização de tarefas domésticas.

A campanha Maio Verde 2026, da Sociedade Brasileira de Glaucoma, alerta que a doença eleva o risco de acidentes de trânsito, lesões e quedas. O impacto estende-se à saúde mental: 47% dos pacientes relatam distúrbios do sono, 25% convivem com ansiedade e entre 19% e 25% apresentam quadros de depressão.

Com informações de G1

Notícias Relacionadas