Saúde

Ator Sam Neill alcança remissão de câncer por meio da terapia CAR-T antes de falecer

13 de Julho de 2026 às 09:03

O ator neozelandês Sam Neill, de 78 anos, morreu nesta segunda-feira (13) em Sydney. Ele havia alcançado a remissão de um linfoma não Hodgkin por meio da terapia CAR-T. A causa do óbito não foi divulgada

O ator neozelandês Sam Neill, que faleceu nesta segunda-feira (13) em Sydney, na Austrália, havia relatado recentemente estar livre do câncer. O ator, de 78 anos, enfrentou um linfoma não Hodgkin em estágio avançado, diagnosticado em 2023. Após cinco anos de convivência com a doença e a perda de eficácia da quimioterapia, Neill alcançou a remissão por meio da terapia CAR-T. Embora a causa de sua morte não tenha sido divulgada, a família informou que ele permaneceu sem a doença até o fim da vida.

O funcionamento da terapia CAR-T

Diferente da quimioterapia, que ataca células de multiplicação rápida — inclusive as saudáveis —, a terapia CAR-T reprograma o sistema imunológico do próprio paciente. O processo consiste em modificar células de defesa em laboratório para que elas reconheçam e eliminem especificamente as células cancerígenas, funcionando como um "super soldado" imunológico.

Atualmente, o tratamento é indicado para cânceres hematológicos, como mieloma múltiplo, leucemias e linfomas, especialmente em casos onde a doença retornou ou não respondeu a terapias convencionais. Embora existam estudos iniciais para a aplicação em tumores sólidos (cérebro, mama e pulmão), a tecnologia é consolidada para doenças do sangue, podendo levar ao desaparecimento completo do tumor em pacientes sem outras alternativas.

Cenário e produção no Brasil

A terapia CAR-T já é utilizada no Brasil, com produtos aprovados pela Anvisa. O país tem ampliado a capacidade de produção interna para reduzir a dependência de laboratórios estrangeiros e diminuir custos. Dois estudos recentes destacam esse avanço:

  • USP e Instituto Butantan: Pesquisas com uma versão nacional desenvolvida no Hemocentro de Ribeirão Preto mostraram que 87,5% dos pacientes com linfoma não Hodgkin tiveram redução significativa ou desaparecimento do tumor.
  • Hospital Israelita Einstein: Com financiamento do Ministério da Saúde via Proadi-SUS, a instituição realizou a primeira produção da terapia dentro de um hospital brasileiro, obtendo resposta ao tratamento em 81% dos pacientes com leucemias e linfomas avançados, com 72% deles em remissão completa.

Barreiras de acesso e desafios estruturais

Apesar do potencial clínico, o acesso ao tratamento no Brasil é restrito. O custo comercial oscila entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões por paciente. Além do valor, a complexidade da terapia exige centros especializados para a coleta, modificação celular e monitoramento de efeitos adversos, como alterações neurológicas temporárias e inflamações intensas nos primeiros dias após a infusão.

Um estudo da revista Frontiers in Hematology aponta que a falta de modelos de financiamento e o número reduzido de centros habilitados dificultam a chegada do tratamento aos pacientes. Atualmente, muitas dessas terapias são obtidas via judicialização, o que amplia a desigualdade no acesso.

Para que a tecnologia se torne uma política de saúde pública, é necessária a conjugação de etapas que incluem o registro na Anvisa, a avaliação da Conitec para incorporação ao SUS e a definição de um modelo financeiro sustentável, além da expansão de equipes especializadas por todo o país.

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