Saúde

Austrália investiga casos de lesão hepática em pessoas que usaram retatrutida de origem ilegal

20 de Junho de 2026 às 18:04

Autoridades de saúde de Victoria, na Austrália, investigam seis casos de lesão hepática aguda em usuários de retatrutida, substância experimental para obesidade. Os danos ao fígado estão relacionados a produtos ilegais adquiridos via internet, redes sociais ou conhecidos. A substância não possui aprovação de agências reguladoras em nenhum país

Austrália investiga casos de lesão hepática em pessoas que usaram retatrutida de origem ilegal
Reprodução/Puri Pharmacy

Autoridades de saúde do estado de Victoria, na Austrália, investigam seis casos de lesão hepática aguda em pessoas que utilizaram a retatrutida, uma substância experimental para o tratamento da obesidade. Os registros ocorreram desde janeiro deste ano e envolvem produtos adquiridos via redes sociais, internet ou por meio de conhecidos.

A investigação aponta que a toxicidade observada pode não ser causada apenas pela substância indicada nos rótulos, havendo a suspeita de que contaminantes em produtos ilegais tenham contribuído para os danos ao fígado. O alerta sanitário abrange itens comercializados sob as denominações "Retatrutide", "Reta", "R-10" e "R-20". Os pacientes manifestaram sintomas como cansaço intenso, mal-estar, dor abdominal, urina escura, hematomas anormais e icterícia, caracterizada pelo amarelamento da pele e dos olhos. Exames clínicos confirmaram a alteração da função hepática, com aumento de enzimas do fígado. Há a possibilidade de que casos semelhantes tenham ocorrido em outras regiões australianas.

Desenvolvida pela farmacêutica Eli Lilly para combater a obesidade e o diabetes tipo 2, a retatrutida é uma terapia de "tripla ação" que atua em três receptores hormonais simultaneamente, pertencendo à mesma família de medicamentos como o Mounjaro e o Ozempic. Um estudo recente publicado na revista The Lancet indicou que pacientes com diabetes tipo 2 perderam, em média, 28,3% do peso corporal após 80 semanas de tratamento, resultado comparável a cirurgias bariátricas, além de apresentar benefícios para a osteoartrite do joelho e apneia do sono.

Apesar da eficácia nos testes, a substância não possui aprovação de agências reguladoras em nenhum país e ainda depende da conclusão de estudos clínicos para chegar ao mercado. No entanto, versões ilegais circulam no mercado paralelo. Durante o congresso da Associação Americana de Diabetes (ADA), nos Estados Unidos, foi alertado sobre a venda dessas versões não regulamentadas. No Paraguai, empresas já anunciaram produtos com a substância, enquanto no Brasil, a Anvisa e a Receita Federal realizam apreensões frequentes de mercadorias similares na fronteira.

O Departamento de Saúde de Victoria reforça que o uso de produtos peptídicos não aprovados, especialmente os injetáveis, oferece riscos graves, como infecções, contaminações e danos teciduais. A orientação é a não utilização de qualquer produto vendido como retatrutida fora dos canais oficiais de saúde. Pessoas que utilizaram a substância e apresentem fadiga intensa, dor abdominal, urina escura ou amarelamento da pele devem buscar atendimento médico imediato.

Com informações de G1

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