Austrália investiga casos de lesão hepática em pessoas que usaram retatrutida de origem ilegal
Autoridades de saúde de Victoria, na Austrália, investigam seis casos de lesão hepática aguda em usuários de retatrutida, substância experimental para obesidade. Os danos ao fígado estão relacionados a produtos ilegais adquiridos via internet, redes sociais ou conhecidos. A substância não possui aprovação de agências reguladoras em nenhum país
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Autoridades de saúde do estado de Victoria, na Austrália, investigam seis casos de lesão hepática aguda em pessoas que utilizaram a retatrutida, uma substância experimental para o tratamento da obesidade. Os registros ocorreram desde janeiro deste ano e envolvem produtos adquiridos via redes sociais, internet ou por meio de conhecidos.
A investigação aponta que a toxicidade observada pode não ser causada apenas pela substância indicada nos rótulos, havendo a suspeita de que contaminantes em produtos ilegais tenham contribuído para os danos ao fígado. O alerta sanitário abrange itens comercializados sob as denominações "Retatrutide", "Reta", "R-10" e "R-20". Os pacientes manifestaram sintomas como cansaço intenso, mal-estar, dor abdominal, urina escura, hematomas anormais e icterícia, caracterizada pelo amarelamento da pele e dos olhos. Exames clínicos confirmaram a alteração da função hepática, com aumento de enzimas do fígado. Há a possibilidade de que casos semelhantes tenham ocorrido em outras regiões australianas.
Desenvolvida pela farmacêutica Eli Lilly para combater a obesidade e o diabetes tipo 2, a retatrutida é uma terapia de "tripla ação" que atua em três receptores hormonais simultaneamente, pertencendo à mesma família de medicamentos como o Mounjaro e o Ozempic. Um estudo recente publicado na revista The Lancet indicou que pacientes com diabetes tipo 2 perderam, em média, 28,3% do peso corporal após 80 semanas de tratamento, resultado comparável a cirurgias bariátricas, além de apresentar benefícios para a osteoartrite do joelho e apneia do sono.
Apesar da eficácia nos testes, a substância não possui aprovação de agências reguladoras em nenhum país e ainda depende da conclusão de estudos clínicos para chegar ao mercado. No entanto, versões ilegais circulam no mercado paralelo. Durante o congresso da Associação Americana de Diabetes (ADA), nos Estados Unidos, foi alertado sobre a venda dessas versões não regulamentadas. No Paraguai, empresas já anunciaram produtos com a substância, enquanto no Brasil, a Anvisa e a Receita Federal realizam apreensões frequentes de mercadorias similares na fronteira.
O Departamento de Saúde de Victoria reforça que o uso de produtos peptídicos não aprovados, especialmente os injetáveis, oferece riscos graves, como infecções, contaminações e danos teciduais. A orientação é a não utilização de qualquer produto vendido como retatrutida fora dos canais oficiais de saúde. Pessoas que utilizaram a substância e apresentem fadiga intensa, dor abdominal, urina escura ou amarelamento da pele devem buscar atendimento médico imediato.