Saúde

Brasil registra 505 mortes por síndrome respiratória aguda grave associadas à influenza entre janeiro e maio

01 de Junho de 2026 às 18:11

O Brasil registrou 505 mortes por síndrome respiratória aguda grave associadas aos vírus Influenza A e B entre janeiro e maio. O total de casos no período chegou a 7.749, superando os 6.250 registros do mesmo intervalo de 2025. A vacinação do público-alvo atingiu 38,5% até 31 de maio

Brasil registra 505 mortes por síndrome respiratória aguda grave associadas à influenza entre janeiro e maio
Tony Winston/Agência Brasília

O Brasil registrou 505 mortes por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) associadas aos vírus Influenza A e B entre janeiro e maio deste ano, segundo dados do Ministério da Saúde. O volume de óbitos reflete a gravidade da doença, exemplificada pelo caso de Bryan, de 13 anos, que faleceu em 6 de abril após internação em Sorocaba, no interior de São Paulo. O adolescente apresentou dores no corpo, cansaço e febre a partir de 30 de março, evoluindo para falta de ar e duas paradas cardíacas.

A dinâmica dos óbitos revela que 136 dessas mortes, ou 27% do total, tiveram a causa confirmada apenas nas duas últimas semanas, embora não necessariamente tenham ocorrido nesse intervalo. O número de casos de SRAG por influenza também cresceu em comparação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados 6.250 casos; este ano, o total já chega a 7.749. Desse montante, 4.892 são de Influenza A não subtipada, 1.903 de H3N2, 698 de Influenza B e 256 de H1N1.

A subnotificação é um fator de alerta, pois 1.344 mortes por SRAG registradas em 2026 ainda não tiveram o agente causador identificado. A síndrome pode ser provocada por diversos vírus, incluindo o rinovírus, o vírus sincicial respiratório (VSR) e a covid-19.

A disseminação viral é intensificada no outono e no inverno devido ao clima seco e às baixas temperaturas, que levam as pessoas a permanecerem em locais fechados e tornam as vias respiratórias mais vulneráveis. Em algumas regiões, a sazonalidade da gripe foi antecipada este ano, elevando as internações e a percepção de que o vírus estaria mais forte, embora não haja evidências de maior letalidade.

A gravidade da infecção depende significativamente do hospedeiro. Idosos, crianças, fumantes e pessoas com comorbidades, como asma e diabetes, correm maior risco. A SRAG ocorre quando a infecção compromete severamente os pulmões, podendo levar à insuficiência respiratória.

Entre as variantes, a Influenza A gera maior preocupação por sua alta capacidade de mutação e disseminação, o que dificulta a criação de anticorpos duradouros e permite reinfecções. O vírus consegue circular entre humanos e animais, como suínos e aves, possibilitando recombinações genéticas que originam novas cepas, como ocorreu nas pandemias de 1918 e 2009.

O subtipo H1N1 está associado a inflamações pulmonares graves e piora respiratória abrupta. Já o H3N2 possui alta transmissibilidade e impacta severamente idosos, com mutações frequentes que driblam a imunidade de infecções anteriores. O Influenza B, embora circule quase exclusivamente entre humanos e sofra menos mutações, também pode causar hospitalizações e mortes. Além do comprometimento pulmonar, a influenza pode provocar pneumonia viral e inflamação do endotélio dos vasos sanguíneos, o que pode desencadear infartos ou AVCs ao desprender placas de gordura na corrente sanguínea.

A proteção contra essas complicações é prejudicada pela baixa adesão vacinal. A Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe, encerrada em 31 de maio, vacinou apenas 38,5% do público-alvo (gestantes, idosos e crianças menores de seis anos), longe da meta de 90%. O Brasil não atinge esse índice desde 2020. Do total de 47,4 milhões de doses disponíveis, apenas 18,2 milhões foram aplicadas. A desconfiança com imunizantes, intensificada após a pandemia de covid-19, é apontada como um dos motivos para a baixa procura.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina trivalente, que protege contra três cepas (duas do tipo A e uma do tipo B). A imunização é anual devido às mutações do vírus. Embora a rede particular ofereça a opção quadrivalente, que abrange quatro cepas, a trivalente é considerada suficiente. Atualmente, capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Campo Grande, Belém, Palmas e Porto Velho já ampliaram a oferta gratuita para além dos grupos prioritários.

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