Brasil substitui gradualmente o exame de Papanicolau por teste molecular para detecção do HPV no SUS
O Brasil implementou em 2025 a Nova Diretriz Brasileira para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, substituindo gradualmente o Papanicolau pelo teste molecular para HPV. A medida inclui a autocoleta vaginal para ampliar a adesão ao exame. A Rede Previna-se realiza um estudo com 600 mulheres negras urbanas e quilombolas em cinco cidades brasileiras
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O Brasil implementou em 2025 a Nova Diretriz Brasileira para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, alterando a estratégia de detecção da doença no Sistema Único de Saúde (SUS). A principal mudança consiste na substituição gradual, ao longo dos próximos cinco anos, do exame de Papanicolau pelo teste molecular para detecção do HPV oncogênico.
Este novo método é mais sensível para a identificação de lesões pré-cancerosas e foca no Papillomavirus humano (HPV), vírus responsável por quase todos os casos da enfermidade. A atualização alinha o país a protocolos internacionais para eliminar o câncer do colo do útero como um problema de saúde pública.
Ampliação do acesso via autocoleta
Uma das inovações da nova diretriz é a possibilidade de autocoleta vaginal. Diferente do modelo tradicional, a amostra pode ser colhida pela própria paciente, seja em casa, em clínicas ou outros locais convenientes, permanecendo também a opção de coleta por profissionais de saúde.
A medida visa aumentar a adesão ao rastreamento, superando barreiras como a vulnerabilidade social, a dificuldade de acesso aos serviços de saúde e a resistência de mulheres que sentem medo ou vergonha do exame ginecológico convencional. O procedimento de autocoleta é descrito como rápido e indolor, complementando a vacinação profilática contra o HPV para tornar a doença praticamente 100% prevenível.
Foco em equidade e populações vulneráveis
Para enfrentar as disparidades no sistema de saúde, a Rede Previna-se, fundada em 2013 por Marcia Edilaine Lopes Consolaro, professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), desenvolve um estudo específico para mulheres negras, urbanas e quilombolas. Esse grupo apresenta as maiores taxas de mortalidade por câncer do colo do útero no Brasil, com índices que crescem anualmente.
O projeto, financiado pelo CNPq através da Chamada Pública nº 21/2023, utiliza a autocoleta como ferramenta de promoção de equidade. O objetivo é facilitar o diagnóstico precoce em regiões com escassez de serviços de saúde, permitindo que o tratamento seja iniciado a tempo.
Estrutura e execução do estudo
A pesquisa abrange três macrorregiões econômicas do país, com atuação nas seguintes cidades:
* Centro-Sul: Maringá (PR) e Dourados (MS);
* Amazônica: Manaus (AM);
* Nordeste: Natal (RN) e Recife (PE).
A operação ocorre por meio de busca ativa de 600 mulheres negras urbanas e quilombolas em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e comunidades. O processo conta com o apoio de líderes comunitários e Agentes Comunitários de Saúde (ACS), que foram capacitados pela equipe da Rede Previna-se sobre o HPV e estratégias de abordagem domiciliar.
As amostras coletadas via dispositivo simples são enviadas a um laboratório especializado para a identificação de tipos de HPV de alto risco. Pacientes com resultados positivos são imediatamente encaminhadas para acompanhamento e tratamento.
A expectativa é que os resultados do estudo forneçam subsídios para que gestores de saúde incorporem a autocoleta aos programas oficiais, consolidando a estratégia como uma via eficaz para reduzir a morbimortalidade e ampliar a justiça no acesso à saúde da mulher no Brasil.