Butantan nega que vacina contra a dengue seja experimental e reafirma segurança do imunizante
O Instituto Butantan e o Ministério da Saúde refutam publicações que classificam a vacina contra a dengue como experimental. O imunizante possui licenciamento da Anvisa e foi aplicado em 417 mil profissionais de saúde e 83,6 mil pessoas em quatro localidades
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/h/j/5KqUuBSdOpEcvj6DzcaA/abre-materia-fof-27-.png)
Publicações que circulam nas redes sociais, especialmente no Instagram, afirmam falsamente que a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan teria sido utilizada como um experimento do governo, tratando a população brasileira como cobaia. Um vídeo publicado em 9 de junho, que acumulou mais de 215 mil curtidas, sugere a gravidade da situação e menciona o desespero de pessoas em grupos de WhatsApp, alegando irresponsabilidade na aplicação do imunizante em centenas de milhares de cidadãos.
Contrariando essas alegações, a Butantan-DV é a primeira vacina contra a dengue do mundo aplicada em dose única e a primeira de fabricação totalmente brasileira. O processo de imunização teve início no começo deste ano, priorizando profissionais de saúde, que receberam 417 mil doses. Adicionalmente, 83,6 mil doses foram administradas em pessoas entre 15 e 49 anos nas cidades de Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e na região de Araguaína (TO). O Ministério da Saúde informou que não houve relatos de eventos adversos entre os moradores dessas localidades, embora estados e municípios tenham suspendido a aplicação temporariamente para a conclusão de investigações sobre casos de mortes e eventos graves.
A segurança do imunizante foi validada por rigorosos protocolos científicos. Os resultados da fase 3, etapa final antes da liberação comercial, foram publicados na revista Nature Medicine. Entre 2016 e 2024, o estudo acompanhou 16.235 voluntários com idades entre 2 e 59 anos, utilizando a metodologia de ensaio randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, padrão reconhecido globalmente para testar a eficácia de vacinas. Durante as fases de avaliação de segurança, não foram registrados casos graves.
Maurício Nogueira, professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (SP) e participante dos estudos clínicos, esclarece que a vacina não é experimental. O imunizante percorreu todas as etapas de testes (fases 1, 2 e 3) e obteve o licenciamento da Anvisa. Uma vez licenciada pelo órgão regulador, a vacina torna-se um produto com autorização de uso e bula, deixando de ser classificada como experimental.