Saúde

Cimed recolhe lotes de medicamentos para colesterol devido a erro de embalagem

19 de Maio de 2026 às 06:36

A Cimed Industria S.A. iniciou, na segunda-feira (18), o recolhimento preventivo de lotes de rosuvastatina cálcica e atorvastatina cálcica. A medida, publicada no Diário Oficial da União, ocorre devido à mistura de cartuchos de rosuvastatina em lotes de atorvastatina

Cimed recolhe lotes de medicamentos para colesterol devido a erro de embalagem
Silvana Reis/g1

A farmacêutica Cimed Industria S.A. iniciou, na última segunda-feira (18), o recolhimento voluntário de lotes de dois medicamentos da classe das estatinas: a rosuvastatina cálcica e a atorvastatina cálcica. A medida, publicada no Diário Oficial da União, tem caráter preventivo e ocorre devido a um erro de embalagem, no qual cartuchos de rosuvastatina foram misturados ao lote de atorvastatina.

As estatinas são fundamentais no controle do colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim. A ação desses fármacos consiste em inibir a secreção de uma enzima no fígado responsável pela produção de colesterol, reduzindo assim a concentração de LDL na corrente sanguínea. Esse controle é crucial, pois o excesso de LDL transporta gordura das células hepáticas para outras regiões do corpo, podendo formar placas nas paredes das artérias, o que eleva as chances de acidentes vasculares cerebrais (AVC) e doenças cardíacas.

Além de baixar os níveis lipídicos, a classe medicamentosa estabiliza placas de gordura para evitar rupturas e infartos, reduz a inflamação arterial e diminui o risco cardiovascular global. Um estudo da revista "Annals of Internal Medicine", publicado em dezembro de 2025, indica que o uso de estatinas reduz significativamente a mortalidade em adultos diabéticos, independentemente do risco cardiovascular do paciente.

Existem ao menos seis representantes nessa categoria de fármacos, variando em potência conforme a molécula e a dosagem aplicada. A indicação do tratamento é baseada no nível de LDL e na categoria de risco cardiovascular do paciente. O uso é recomendado para casos de hipercolesterolemia familiar (genética), pessoas com histórico familiar de doenças cardiovasculares precoces, pacientes com diabetes (especialmente acima dos 40 anos), hipertensos com obesidade ou tabagismo, e indivíduos que já sofreram angina, AVC ou infarto. Também são indicadas quando mudanças no estilo de vida não são suficientes para reduzir o LDL elevado.

Em 2025, a Sociedade Brasileira de Cardiologia atualizou a Diretriz de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, tornando as metas de colesterol mais rigorosas e criando a categoria de risco extremo para pacientes com múltiplos eventos cardiovasculares. As novas metas de LDL estabelecidas são: menos de 40 mg/dL para risco extremo; menos de 50 mg/dL para risco muito alto; menos de 70 mg/dL para risco alto; menos de 100 mg/dL para risco intermediário; e menos de 115 mg/dL para baixo risco.

Embora sejam considerados seguros e eficazes, os medicamentos podem apresentar efeitos colaterais. O sintoma mais frequente é a dor muscular, geralmente leve e acompanhada de câimbras no primeiro mês de uso. Em casos raros, podem ocorrer hepatite medicamentosa com alterações laboratoriais ou lesões musculares graves com impacto renal, sendo que ambas as reações costumam ser reversíveis com a intervenção adequada.

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