Saúde

Cirurgia metabólica apresenta eficácia de 89% no controle do diabetes tipo 2

25 de Junho de 2026 às 06:09

A cirurgia metabólica, disponível via SUS, controla o diabetes tipo 2 em até 89% dos casos ao estimular a produção de insulina. O procedimento robótico possui risco de mortalidade de 0,1% e teve suas indicações ampliadas pela Resolução nº 2.429/25 do CFM

Cirurgia metabólica apresenta eficácia de 89% no controle do diabetes tipo 2
Arquivo Pessoal

A cirurgia metabólica tem se consolidado como uma alternativa de alta eficácia para o controle do diabetes tipo 2, apresentando resultados que superam a simples perda de peso. Diferente da cirurgia bariátrica convencional, cujo foco principal é a saciedade e a redução ponderal, o procedimento metabólico visa estimular o pâncreas a produzir insulina, tratando a doença e suas consequências.

O mecanismo central da operação baseia-se no efeito incretínico. Ao reduzir o estômago e refazer o trânsito intestinal, o alimento chega mais rapidamente à parte final do intestino delgado. Esse movimento intensifica a liberação de hormônios como o GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1) e o GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose), que otimizam o funcionamento do pâncreas, rins, fígado e coração.

Essa resposta hormonal é a mesma base utilizada pela indústria farmacêutica para criar medicamentos injetáveis, como Ozempic, Mounjaro, Saxenda e Victoza. No entanto, enquanto as canetas exigem uso contínuo, a intervenção cirúrgica oferece um tratamento de dose única com maior durabilidade e melhor relação custo-benefício para diabéticos com obesidade leve, moderada ou grave.

A relevância do procedimento é acompanhada pelo crescimento global da doença. Segundo o Diabetes Atlas 2025 da Federação Internacional de Diabetes (IDF), 589 milhões de adultos entre 20 e 79 anos vivem com diabetes no mundo, o que representa quase um em cada nove indivíduos nessa faixa etária. A projeção é que esse número atinja 853 milhões até 2050. Em 2024, a patologia causou 3,4 milhões de mortes e gerou gastos globais de saúde superiores a 1 trilhão de dólares. A prevalência é ainda maior entre idosos, atingindo 25% da população, devido à forte correlação com a obesidade, presente em 90% dos casos de diabetes tipo 2.

Tecnicamente, a cirurgia é realizada sob anestesia geral venosa, geralmente via robótica, com incisões abdominais de aproximadamente 8 milímetros. O procedimento dura entre 60 e 80 minutos. A precisão robótica reduz sangramentos e dores no pós-operatório, permitindo que o paciente receba alta após uma noite de internação. A recuperação alimentar nos primeiros 30 dias ocorre em três etapas: dieta líquida restrita, líquido-pastosa e, por fim, pastosa.

O Conselho Federal de Medicina (CFM), por meio da Resolução nº 2.429/25 de maio de 2025, ampliou as indicações para esse tipo de cirurgia, incluindo novas técnicas e reduzindo o índice de massa corporal (IMC) mínimo para pacientes com diabetes tipo 2 de difícil controle. Atualmente, quatro técnicas de reconstrução são autorizadas e o procedimento está disponível via Sistema Único de Saúde (SUS).

A eficácia do método é evidenciada por um índice de controle da doença que chega a 89%, incluindo remissões completas, com um risco de mortalidade de 0,1%. Um dado relevante indica que 40% dos pacientes que voltam a ganhar peso após a operação mantêm a diabetes controlada, reforçando que o benefício não depende exclusivamente da magreza.

Devido ao componente genético, a cura definitiva só é considerada após dez anos de estabilidade pós-operatória. Até esse período, fala-se em controle, o que exige acompanhamento multidisciplinar com endocrinologistas, cardiologistas, hepatologistas, nutricionistas, psicólogos e cirurgiões.

A aplicação prática desses benefícios é vista em casos como o de Patrícia Natali Lopes Nicoleti, de 39 anos. Após seis anos utilizando insulina até sete vezes ao dia e outros medicamentos sem sucesso, a motorista de carreta submeteu-se à cirurgia metabólica. No dia seguinte ao procedimento, sua glicose registrou 71 e, desde então, não ultrapassou a marca de 100. Patrícia perdeu 29 kg — passando de 98 kg para 69 kg — e não utiliza mais medicamentos para diabetes, apenas suplementação vitamínica.

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