Cresce o número de pessoas que buscam auxílio profissional para tratar a dependência de smartphones
Cresceu a busca por auxílio profissional contra o uso compulsivo de smartphones, com 70% de mil adultos admitindo tempo excessivo nos aparelhos em pesquisa da Deloitte. No UKAT, um terço dos pacientes com dependência de substâncias também apresenta vício em telefone, contra um décimo em 2019. Centros de reabilitação britânicos já integram o combate ao vício digital em seus protocolos de tratamento
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O aumento da dependência digital tem levado um número crescente de pessoas a buscar auxílio profissional para lidar com o uso compulsivo de smartphones. Embora o vício em telefone ainda não seja classificado como um problema de saúde oficial, dados de uma pesquisa da Deloitte indicam que 70% de mil adultos entrevistados consideram que passam tempo excessivo nos aparelhos.
Essa tendência é refletida nos centros de tratamento de dependências. O UK Addiction Treatment Centres (UKAT), que atende 3,5 mil pessoas anualmente, registrou que, no último ano, um em cada três pacientes tratados por dependência de substâncias também apresentava dependência secundária de telefone. Em 2019, essa proporção era de apenas um para cada dez pacientes. A gravidade do quadro é tamanha que alguns usuários chegam a abandonar tratamentos de vícios principais por se recusarem a entregar seus dispositivos ao ingressar em clínicas.
No Reino Unido, centros de reabilitação como o Steps Together, em St Helens e Leicester, já integram o combate ao vício digital em seus protocolos, tratando-o ao lado de dependências de álcool, drogas e jogos. A terapeuta-chefe Kelly Watson explica que o mecanismo do vício está ligado ao sistema de recompensa do cérebro: a liberação de dopamina ocorre ao receber curtidas, mensagens ou novas informações, gerando um ciclo de busca por estímulos que pode levar à dissociação do mundo real.
Para muitos pacientes, o dispositivo funciona como um "porto seguro" ou refúgio contra dificuldades da vida cotidiana, o que torna a separação angustiante. O tratamento residencial, que pode durar 28 dias, foca na redução gradual do tempo de tela e em terapias individuais e grupais para identificar os gatilhos emocionais da compulsão.
Casos extremos revelam impactos severos na saúde mental e na rotina. Há relatos de usuários que negligenciaram alimentação e sono, sentindo sintomas de abstinência física e psicológica, além de perdas profissionais e crises suicidas decorrentes do isolamento digital. Como resposta, surgiram iniciativas globais como o Internet and Technology Addicts Anonymous (ITAA), que utiliza um programa de 12 passos inspirado nos Alcoólicos Anônimos para apoiar a recuperação.
A psicoterapeuta Hilda Burke, credenciada pela British Association of Counselling and Psychotherapy (BACP), orienta que a superação do vício começa com a análise do comportamento e a identificação do que motiva o uso do aparelho, como a ansiedade pela espera de uma resposta. A recomendação é substituir o impulso digital por atividades físicas ou sociais, evitando sentimentos de culpa.
Paralelamente, empresas de telefonia implementaram ferramentas de monitoramento de tempo de tela e restrição de aplicativos para auxiliar os usuários a romperem o ciclo de dependência.