Dificuldades no diagnóstico de idosos em emergências hospitalares levam à adoção de metodologias multidisciplinares
A assistência a pacientes com 75 anos ou mais em emergências hospitalares é dificultada por manifestações atípicas de doenças, alterações cognitivas e polifarmácia. Para mitigar esses problemas, o PROAge utiliza equipes multidisciplinares e adaptações ambientais
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A assistência a pacientes com 75 anos ou mais em unidades de emergência hospitalar enfrenta desafios estruturais e clínicos, pois o ambiente muitas vezes não é acolhedor e pode mascarar a gravidade de quadros patológicos. De acordo com Pedro Kallas Curiati, coordenador das especializações em geriatria e gerontologia da Faculdade Sírio-Libanês e doutor pela Faculdade de Medicina da USP, essa dificuldade de diagnóstico ocorre devido à redução da reserva fisiológica do idoso, que gera manifestações atípicas de doenças.
No sistema nervoso central, por exemplo, a alteração no controle térmico pode resultar na ausência ou atenuação da febre, além de diminuir a percepção de dor em casos agudos. A função renal reduzida e a resposta limitada da frequência cardíaca diante de estressores — sejam eles psicológicos, como medo e ansiedade, ou físicos, como temperaturas extremas — também comprometem a estabilidade do organismo.
O diagnóstico é dificultado ainda por alterações cognitivas prévias, que prejudicam o relato de sintomas e a anamnese. Somam-se a isso a polifarmácia, que eleva o risco de reações adversas e interações medicamentosas capazes de mimetizar ou agravar enfermidades, e as mudanças na composição corporal e no metabolismo hepático e renal, que interferem na forma como os medicamentos são distribuídos e eliminados pelo corpo.
Para mitigar esses problemas, o PROAge utiliza uma equipe multidisciplinar para avaliar a idade do paciente, a ocorrência de hospitalizações recentes e sinais de exaustão, emagrecimento, comprometimento físico ou alterações agudas no estado mental. A metodologia inclui adaptações ambientais para promover o bem-estar, como o uso de dimerizadores de luz, a redução de ruídos, a instalação de relógios com numeração ampliada e a oferta de pocket talkers, que funcionam como amplificadores pessoais de som.