Diretrizes médicas recomendam que todos os adultos meçam a lipoproteína(a) ao menos uma vez na vida
Novas diretrizes médicas recomendam que adultos meçam a lipoproteína(a) ao menos uma vez na vida devido ao risco de infarto. Enquanto terapias como o pelacarseno estão em teste, o estudo Horizon deve apresentar resultados sobre a eficácia desses fármacos em agosto de 2026
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A aprovação recente, nos Estados Unidos, de um novo comprimido para o controle do colesterol LDL amplia as opções terapêuticas para o colesterol "ruim", mas mantém em evidência uma lacuna no tratamento de um fator de risco genético: a lipoproteína(a), ou Lp(a). Diferente do LDL, essa fração não é influenciada por dieta, exercícios ou pelo uso de estatinas, sendo determinada em cerca de 90% pelos genes.
A Lp(a) atua como um marcador de risco independente. Isso significa que dois pacientes com níveis idênticos de LDL podem apresentar probabilidades distintas de eventos cardiovasculares, dependendo da concentração dessa lipoproteína. Estima-se que uma em cada cinco pessoas possua níveis elevados da substância, muitas vezes sem diagnóstico.
Riscos e Impactos na Saúde
A relevância clínica da lipoproteína(a) reside na sua forte associação com desfechos graves. Valores acima de 50 mg/dL — patamar que engloba o quartil mais alto da população — podem elevar em até três vezes o risco de infarto. Além disso, a presença elevada dessa fração favorece a calcificação da válvula aórtica, condição frequente em pacientes idosos.
Devido a essa periculosidade, a recomendação médica para a detecção mudou. A diretriz de dislipidemia publicada em março de 2026 pelo American College of Cardiology e pela American Heart Association, corroborada por especialistas da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), orienta que todos os adultos realizem a dosagem da Lp(a) ao menos uma vez na vida.
Como os níveis tendem a permanecer estáveis ao longo dos anos, um único exame de sangue é suficiente. Embora a detecção de níveis altos não implique no início imediato de uma medicação específica — já que as terapias ainda estão em fase de validação —, o resultado serve como um alerta para que o paciente controle com maior rigor outros fatores de risco modificáveis.
Perspectivas Terapêuticas
A indústria farmacêutica trabalha atualmente no desenvolvimento de substâncias para preencher essa lacuna. O projeto mais avançado é o pelacarseno, da Novartis, administrado via injeção mensal. Em testes iniciais, o medicamento conseguiu reduzir a fração de lipoproteína(a) em aproximadamente 80%.
Para validar se a redução química da molécula resulta efetivamente em menos mortes e complicações, está em curso o estudo Horizon. O ensaio clínico acompanha mais de 8 mil pacientes para verificar a diminuição de casos de infarto e acidentes vasculares cerebrais (AVCs).
Os resultados desse estudo são aguardados para 2026, com apresentações previstas para o Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), em Munique, no final de agosto. Paralelamente, outras terapias, incluindo versões em comprimidos, seguem em fase de teste para comprovar se a queda nos níveis de Lp(a) se traduz, na prática, em salvamento de vidas.