Especialistas desmentem teoria de que o termo hantavírus teria origem no idioma hebraico
Publicações em redes sociais afirmam erroneamente que "hantavírus" vem do hebraico e significa fraude. O termo deriva do rio Hantan, na Coreia do Sul, onde o vírus foi identificado em 1976. Especialistas da USP e da escola Hebraico sem Fronteiras desmentiram a relação linguística
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Publicações que circulam no X, Facebook e Instagram afirmam que o termo "hantavírus" teria origem hebraica e que a palavra "hanta" significaria mentira, fraude ou golpe, sugerindo que a doença seria uma farsa. No entanto, a etimologia do nome não possui qualquer ligação com o idioma hebraico.
A denominação do vírus remonta a 1976, quando o médico sul-coreano Ho Wang Lee identificou o agente infeccioso em ratos do campo na região do rio Hantan. Após dois anos de testes, o virologista e sua equipe publicaram as descobertas. O nome "Vírus Hantaan" foi escolhido em referência ao rio, com a adição de um "a" extra apenas para adequar a pronúncia de estrangeiros ao idioma coreano. O rio Hantan possui relevância histórica por ter servido como rota de fuga da Coreia do Norte durante a Guerra da Coreia, entre 1950 e 1953.
A doença, inicialmente chamada de febre hemorrágica coreana, teve seus primeiros casos reconhecidos mais de duas décadas antes da publicação dos pesquisadores. Com a identificação de outros vírus do mesmo grupo em regiões da América, África, Ásia e Europa, a categoria foi generalizada como "hantavírus".
Especialistas em Língua e Literatura Hebraica da Universidade de São Paulo (USP) e da escola Hebraico sem Fronteiras desmentiram a relação do termo com o hebraico. Embora existam capturas de tela de ferramentas de inteligência artificial sugerindo que "hanta" seria uma gíria, a palavra correta é "harta", de origem árabe e usada em Israel para significar "papo furado", possuindo pronúncia distinta da palavra hantavírus.
O hantavírus é transmitido majoritariamente por roedores silvestres e pode provocar febres hemorrágicas, além de complicações cardíacas e respiratórias. A transmissão entre seres humanos é rara, ocorrendo apenas na cepa andina, encontrada no Chile e na Argentina. Essa variante específica foi a causa de três mortes no surto do cruzeiro HV Mondius. No Brasil, há registros anuais de hantavirose, porém nenhum caso está relacionado à cepa Andes.