Especialistas propõem que a Organização Mundial da Saúde classifique a toxoplasmose como doença tropical negligenciada
Pesquisadores da USP e da Flinders University propõem que a OMS classifique a toxoplasmose como doença tropical negligenciada. A medida visa ampliar recursos para tratamento, prevenção e pesquisa da patologia que afeta cerca de 33% da população global
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Cerca de 33% da população global carrega o protozoário *Toxoplasma gondii*, agente causador da toxoplasmose ocular. A infecção atinge a retina e pode provocar a perda definitiva da visão, embora seja possível evitar e controlar a patologia.
Diante desse cenário, um artigo acadêmico coordenado pelo professor associado da Universidade de São Paulo, João Furtado, e pela professora Justine Smith, da Flinders University, na Austrália, propõe que a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifique a toxoplasmose como uma doença tropical negligenciada (DTN). O documento contou com a colaboração de especialistas de quatro continentes: Ásia, África, Europa e Américas.
A classificação como DTN visa destravar recursos financeiros para a área de tratamento, prevenção e pesquisa, além de integrar a enfermidade à agenda global de Saúde Única (One Health), o que permitiria a implementação de ações coordenadas. Atualmente, a doença recebe menos investimentos e atenção do que outras condições com impactos equivalentes ou inferiores.
A transmissão ocorre via exposição a fezes de felinos ou pelo consumo de água, alimentos e carnes malcozidas. Durante a gestação, a infecção pode ser passada ao feto, resultando em danos permanentes aos olhos e ao cérebro, ou em abortos espontâneos. Em crianças, os problemas visuais tendem a se agravar progressivamente.
O risco de cegueira e outros desfechos graves é maior em populações com acesso precário a água potável, alimentos seguros, assistência pré-natal e cuidados médicos. Idosos também estão em situação de vulnerabilidade devido à imunossenescência, que é o declínio natural da imunidade com a idade. Essa condição torna as respostas ao tratamento mais lentas e as lesões na retina significativamente maiores.