Estudo indica aumento de 11 tipos de tumores em adultos jovens na Inglaterra
Estudo do periódico BMJ Oncology registrou aumento anual entre 1% e 3% na prevalência de 11 tipos de tumores em adultos de 20 a 49 anos na Inglaterra entre 2001 e 2019. A elevação do índice de massa corporal foi a única variável comportamental com alta consistente associada ao avanço. No Brasil, o INCA prevê a estimativa de 781 mil novos casos anuais de câncer entre 2026 e 2028
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Um estudo publicado em abril no periódico *BMJ Oncology* revelou um aumento na prevalência de 11 tipos de tumores em adultos entre 20 e 49 anos na Inglaterra. A pesquisa, que monitorou registros de câncer entre 2001 e 2019, identificou que a incidência dessas doenças cresceu anualmente entre 1% e 3% nessa faixa etária. Entre os tumores analisados estão os de mama, colorretal, endométrio, fígado, rim, pâncreas, oral, tireoide, vesícula, ovário e o mieloma múltiplo.
Ao cruzar os dados com fatores de risco, os pesquisadores constataram que a elevação do índice de massa corporal (IMC) é a única variável comportamental com alta consistente que ajuda a explicar parte desse avanço. Outros indicadores, como tabagismo, sedentarismo e consumo de álcool e carnes processadas, permaneceram estáveis ou apresentaram melhora no período, sugerindo que a causa do aumento em jovens adultos ainda não está totalmente esclarecida pelos riscos conhecidos.
O comportamento dos tumores variou conforme a idade. Na maioria dos casos, a alta também foi observada em idosos. No entanto, o câncer colorretal e o de ovário apresentaram padrões distintos: enquanto cresceram entre os jovens, não seguiram a mesma tendência ou até declinaram entre a população mais velha.
No Brasil, a oncologia clínica já observava a mudança no perfil dos pacientes, que se tornaram mais jovens. Esse cenário gera um desafio assistencial, pois os protocolos de rastreamento são focados em idosos; no SUS, por exemplo, a detecção do câncer colorretal inicia-se apenas aos 50 anos. Para mitigar essa lacuna, a especialidade tem dado atenção crescente à população AYA (*Adolescents and Young Adults*), grupo que transita entre a pediatria e a oncologia adulta.
Embora o Brasil não possua um sistema de registro de câncer tão capilarizado quanto o *National Health System* (NHS) do Reino Unido, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) sinaliza tendências semelhantes. O relatório Estimativa 2026 prevê que o país registre cerca de 704 mil novos casos anuais entre 2023 e 2025, saltando para 781 mil casos anuais entre 2026 e 2028. O documento destaca a alta incidência de cânceres de cólon e reto em ambos os sexos e estima 7,5 mil novos casos infantojuvenis (0 a 19 anos) por ano para 2026.
Parte desse aumento pode ser atribuída à melhoria do diagnóstico precoce. No caso do câncer de mama em mulheres com menos de 50 anos, o uso mais frequente de mamografias e ultrassonografias tem revelado casos que anteriormente passariam despercebidos.
A relação entre obesidade e câncer é reforçada por dados do Vigitel, que indicam que 60% da população brasileira convive com sobrepeso (em comparação aos 66% na Inglaterra, segundo a *Health Survey for England* de 2024). A base biológica para essa associação reside nos níveis elevados de insulina em pessoas com sobrepeso, hormônio que induz o crescimento celular e está ligado a inflamações crônicas, mecanismo associado ao desenvolvimento de ao menos 13 tipos de tumores.
Além do peso, a transição alimentar no Brasil, marcada pelo consumo de ultraprocessados, é apontada como um fator agravante. Evidências sugerem que esses alimentos podem ter efeitos independentes do IMC, influenciando a microbiota intestinal e o metabolismo através de aditivos alimentares.
Apesar da tendência de alta, a incidência de câncer em adultos jovens ainda é considerada rara. A recomendação médica é que a população mantenha a vigilância e procure atendimento profissional ao notar sintomas persistentes, como fadiga excessiva, perda de peso sem causa aparente, dores, nódulos ou alterações intestinais e presença de sangue nas fezes, visando aumentar as chances de cura por meio do diagnóstico precoce.