Estudo indica que a busca por prazer imediato dificulta a adesão à atividade física
Estudo da revista Sports Medicine and Health Science indica que a inatividade física persiste devido à priorização de recompensas imediatas pelo cérebro. A pesquisa aponta que a manutenção de hábitos depende de experiências positivas e fatores estruturais, sugerindo que diretrizes de saúde foquem no prazer e ganhos instantâneos
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A persistência do sedentarismo na população mundial, mesmo diante da ampla divulgação dos benefícios da atividade física, revela a insuficiência de modelos de comunicação baseados apenas na transmissão de informações. Um estudo publicado em 2026 na revista *Sports Medicine and Health Science*, intitulado “Base comportamental humana para recomendar mudanças nas diretrizes de atividade física”, analisa o descompasso entre as recomendações de saúde e a tomada de decisão real dos indivíduos.
As evidências indicam que o comportamento humano não é regido exclusivamente pela racionalidade. Estima-se que quase metade das pessoas que pretendem iniciar a prática de exercícios não consiga converter essa intenção em ação. Esse fenômeno ocorre porque o cérebro tende a priorizar recompensas imediatas em detrimento de benefícios futuros, como a prevenção de doenças ou o aumento da longevidade. Esse mecanismo, denominado desconto hiperbólico, faz com que atividades de baixo esforço, como o uso de redes sociais, sejam preferidas ao exercício, que demanda tempo, gasto financeiro e esforço físico imediato.
A pesquisa destaca que a manutenção do hábito não depende apenas de motivações iniciais ligadas à estética ou ao condicionamento físico, mas da experiência vivida durante a prática. Sensações de desconforto, vergonha ou inadequação podem causar a rejeição duradoura da atividade. Em contrapartida, experiências positivas, sentimentos de autonomia, competência e pertencimento são fundamentais para a continuidade.
Fatores estruturais também contribuem para o aumento da inatividade, como a urbanização, o uso intensivo de tecnologias e a redução do movimento nos deslocamentos e no ambiente de trabalho. O estudo menciona ainda o “paradoxo da atividade física”, observando que esforços intensos e repetitivos realizados em contextos laborais, com alta carga de desgaste e baixa autonomia, não geram os mesmos benefícios à saúde que as atividades praticadas no lazer.
Para elevar os níveis de atividade física da população, as evidências sugerem a necessidade de focar no prazer e nos ganhos imediatos, como a melhora do humor e a redução da ansiedade. Estratégias que favorecem a aderência incluem a escolha de atividades de intensidade leve a moderada, a prática em ambientes agradáveis ou ao ar livre, a interação social e a inclusão de música.
A conclusão do trabalho aponta que a eficácia das diretrizes de saúde depende de uma mudança de perspectiva: em vez de enfatizar apenas os resultados a longo prazo, é preciso valorizar a vivência cotidiana do exercício, transformando-o em algo que valha a pena no momento presente.