Saúde

Estudo indica que níveis excessivos de vitamina B12 podem estar associados ao risco de câncer

15 de Maio de 2026 às 12:08

Estudo no Vietnã associou a deficiência e o excesso de vitamina B12 a um maior risco de câncer. Níveis elevados do nutriente podem atuar como marcadores de progressão da doença, reduzindo a sobrevivência de pacientes com câncer de cólon. A suplementação de megadoses sem orientação médica é apontada como fator de atenção

Estudo indica que níveis excessivos de vitamina B12 podem estar associados ao risco de câncer
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A vitamina B12, também chamada de cobalamina, desempenha funções vitais no organismo, como a produção de glóbulos vermelhos, a manutenção do sistema nervoso e a reparação do DNA. Encontrada naturalmente em carnes, peixes, ovos e laticínios, além de alimentos fortificados, a substância é essencial para a divisão celular precisa. Quando há deficiência desse nutriente, o DNA pode ser copiado incorretamente, o que eleva o risco de mutações e o desenvolvimento de neoplasias, especialmente o câncer de cólon.

Embora a carência seja um problema bem estabelecido, pesquisas recentes investigam a relação entre níveis excessivos de B12 e o risco oncológico. Um estudo de caso-controle realizado no Vietnã em 2025 identificou uma correlação em formato de "U", indicando que tanto a ingestão insuficiente quanto a excessiva estariam associadas a um maior risco de câncer. A hipótese é que, como a vitamina B12 estimula o crescimento celular geral, ela poderia, teoricamente, favorecer a proliferação de células pré-cancerosas já existentes, embora a comprovação definitiva em humanos seja complexa.

Análises sobre o uso de suplementos de altas doses de vitaminas B por longos períodos não demonstram efeito protetor generalizado contra a incidência ou mortalidade por câncer. Houve a detecção de redução de risco para melanoma, porém, estudos observacionais sugeriram um leve aumento na incidência de câncer de pulmão em homens fumantes que utilizaram doses elevadas de B6 e B12.

A presença de níveis sanguíneos excepcionalmente altos de B12 em pacientes com câncer tem sido analisada para determinar se a vitamina é a causa ou a consequência da doença. Pesquisas de 2022 e 2024 concluíram que esse aumento é frequentemente um epifenômeno. Isso ocorre porque tumores podem estressar o fígado, liberando a vitamina armazenada no órgão para a corrente sanguínea, ou aumentar as proteínas que se ligam à B12, elevando os resultados laboratoriais sem que haja maior utilização celular do nutriente.

Apesar de não ser a causa, a concentração elevada de B12 pode servir como um marcador de progressão da doença. Um estudo de 2026 revelou que pacientes com câncer de cólon e níveis muito altos de B12 tiveram uma sobrevivência mediana de cinco anos, enquanto aqueles com níveis normais chegaram a quase 11 anos. Padrões semelhantes foram observados no câncer de boca e em pacientes submetidos à imunoterapia, associando a vitamina a desfechos menos favoráveis.

Níveis persistentemente altos de B12 sem o uso de suplementos podem indicar distúrbios sanguíneos, doenças hepáticas ou cânceres não detectados. No entanto, para a população geral, o consumo via dieta equilibrada não representa risco de excesso. A atenção deve se voltar à suplementação de megadoses sem acompanhamento médico.

A recomendação é a manutenção de níveis adequados, especialmente para idosos, veganos ou pessoas com doenças intestinais que absorvem nutrientes com menor eficiência. A prevenção do câncer permanece fundamentada em hábitos consistentes, como a prática de exercícios, a proteção da pele, a realização de exames preventivos, a cessação do tabagismo e uma alimentação balanceada.

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